Falando de (in)disciplina...
Esta manhã, a N., uma 'colega' destas andanças da Catequese, comentava que, desde que a Catequese recomeçou após a pausa natalícia, tem-se deparado com episódios esporádicos de um certo problema de autoridade diante do seu grupo, composto por 11 catequizandos (8 meninas e 3 meninos com cerca de 9, 10 anos).
A situação que, inicialmente fora assimilada como sendo resultado do período de férias passado, acabou por se tornar de tal forma complicada e intolerável, que no Sábado passado a N. gritou durante a sessão, e acabou a chorar diante do grupo...
Numa pesquisa rápida pela Net, encontrei um artigo de Álvaro Ginel, secção "?Y Cómo?", traduzido da revista 'Catequistas', n.º 149 (2003), p. 28-29, que faz uma abordagem interessante sobre a problemática da disciplina na Catequese (ou, neste caso, a falta dela).
Aqui fica...

Para muitos catequistas, hoje é um problema a disciplina durante a sessão de catequese. "Não estão quietos. Não há quem os aguente. Todo o tempo a falar. Não se concentram...". Temos que reconhecer que este aspecto se converte para bastantes catequistas num problema preocupante. Os catequistas sentem que não têm autoridade, ou que "não aguentam com o grupo". Como consequência, realizam pouco (ou quase nada) do que tinham preparado. Nalguns casos, existem catequistas que abandonam a catequese porque é "mais difícil do que imaginavam; não se fazem com o grupo". O abandono pode implicar uma experiência negativa de animação. Outros catequistas não se preocupam e a sessão de catequese converte-se num tempo de jogo, onde se pronunciam “palavras religiosas” sem ambiente apropriado para acolhê-las...
COMPREENDER A SITUAÇÃO
Temos de fazer um esforço por compreender a situação:
a)O horário da catequese. Geralmente não estão colocadas as sessões nos melhores momentos do dia. Pesa o cansaço da jornada escolar ou é difícil a concentração porque o sábado é “dia de descanso”; a catequese parece que estraga o descanso.
b)A situação familiar. Cada criança é uma história bela condicionada pela educação que recebe em casa e pelo carinho e atenção que lhe são prestados. Hoje temos dois extremos: a ausência de carinho e a super-protecção de carinho que convertem a criança numa "ditadora" que faz o que quer e não está habituada a por um limite aos seus caprichos.
c)Outros factores. Existem outros factores que influenciam na disciplina como sejam: os amigos, o local, o tempo para o jogo e a diversão, a disciplina vivida na família, o colégio...
O CATEQUISTA
Falar de disciplina é falar também do catequista educador. Não podemos deitar todas as bolas ao campo contrário e dizer que "são eles os que têm a culpa, os que são mal-educados..."
O catequista tem muito que ver nisto da disciplina. Se o grupo “percebe ou intui” que o animador tem falta de personalidade, que está pouco convencido do que diz, que está perdido, que não sabe sair-se bem das dificuldades normais... então o grupo (ou os cabecilhas do grupo) aproveita-se para fazê-lo saber e sentir.
E a maneira de dizer ao animador que "vêm nele pouca consistência, pouco formação, pouco profundidade" é comportando-se mal. Dito mais simples: existe indisciplina cuja raiz é o próprio animador. Quem sabe, comprometeu-se a uma coisa que o supera.
ALGUMAS PISTAS
Existe indisciplina que vem do cansaço das crianças e adolescentes (que são quem mais problemas podem apresentar). Nestes casos tens que procurar alguns recursos para relaxar e serenar os nervos. Não pretendas o impossível. Porás as coisas pior e não conseguirás nada. Para aproveitar vinte minutos, talvez tenhas de dedicar 15 em relaxação, ou exercícios não relacionados directamente com o tema... Tu sabes o que pretendes. Não o fazes por fazer. Tu dás resposta há realidade do teu grupo, uma realidade muito concreta, permitindo que a serenidade chegue. e ao fazer isto, não te culpabilizes porque "perdes o tempo". Ficas alegre porque estás "a preparar a terra" para que acolha a Palavra do Evangelho...
Existem indisciplinados que o são por circunstâncias familiares: falta de carinho, falta da presença do pai ou da mãe, excesso de mimos, uma permissividade absoluta, etc. Umas vezes estes membros do grupo querem fazer-se notar, ou que repares neles... É bom: tê-los perto, dar-lhes incumbências concretas para fazerem, responsabilizá-los por outros, falar muito com eles antes e depois da sessão, querer-lhes sem permissividade barata, não feri-los em publico (porque não trouxeram... porque se esqueceram... porque não fizeram...), tendo em conta que em muitos casos não estão apoiados pela família; vêm para "cumprir o expediente". Todos gostamos de ser felicitados pelo que fizemos bem feito. Felicita cada pessoa quando faz as coisas bem; fá-lo sobretudo com os mais difíceis... Que descubram que o catequista fixa-se no que fazem bem feito, não só nas suas "traquinices".
Terás que pedir conselho e opinião de outros catequistas para confrontar o que fazes com a experiência de outros, sobretudo com aqueles que têm mais experiência. As situações de cada grupo são impossíveis de catalogar, Os grupos e as pessoas não funcionam como os computadores: à base de ordens e de apertar em botões. Os acontecimentos são parecidos, mas não são iguais, porque os protagonistas são diferentes, com uma história, uma educação e uma referência familiar diferentes... Um grito pode vir bem num determinado ambiente... e ser muito negativo noutro... Tudo o que é educação assemelha-se mais a uma obra de arte do que a uma máquina automatizada... Graças a Deus!
É absolutamente importante que descubras se a indisciplina do grupo é devida aos indisciplinados ou é uma palavra que te estão a dizer a ti mesmo os membros do grupo. Uma palavra para que sejas mais humano, mais profundo, mais coerente, ou para que te prepares melhor as coisas... Ordinariamente onde o grupo intui que existe "um mestre", "um que sabe e entende" costuma portar-se bem. Um exemplo: põe a ensaiar uma canção a uma pessoa que domine mal a viola ou saiba a meias o canto. Verás que ali ninguém se entende. Depois, faz que ensaie o mesmo canto e com o mesmo grupo uma pessoa que cante bem ou que toque bem a viola. Tu mesmo verás a diferença e entenderás o que te quero dizer.
É CHAVE
A competência e a coerência do catequista é a chave de sucesso para que no grupo haja disciplina.
FLASH
Num clima de indisciplina é impossível fazer uma boa catequese;
Na catequese, como na escola, os problemas de disciplina hoje são uma realidade que tem muitas causas.
O catequista necessita de experiência para saber detectar as causas da disciplina no grupo e para acertar na maneira de abordar os membros mais difíceis.
O grupo no seu conjunto possui um sentido especial para "intuir" os aspectos mais frágeis do animador e "aproveitar" essas fragilidades.
SUGESTÕES
A tranquilidade do animador é muito importante nos momentos em que no grupo acontece algo de especial. Se o grupo percebe que “alguma coisa” desconcerta o animador, já sabe por onde entrar e fazer-lhe “mossa”.
O diálogo é a melhor arma para consertar o que acontece no grupo. Há momentos em que o diálogo não bastará e o melhor será fazer gestos com muito poucas palavras.
O paleio, as ameaças, os insultos, as palavras que atentam contra a dignidade da pessoa costumam produzir precisamente os efeitos contrários aos que eram pretendidos.
É bom utilizar frases e palavras um pouco misteriosas, que deixam uma interrogação, que abrem a algo que não é imediatamente objectivável, que suscitam a pergunta: Que quererá dizer?
O carinho verdadeiro ao grupo e a cada pessoa do grupo é o melhor remédio. Carinho não é deixar fazer o que cada um quer, mas sim, entender a vida do grupo de cada elemento do grupo e gostar verdadeiramente deles. O amor leva há entrega.
Tão importante ou mais que os "nãos" são os "sins", as felicitações, as palavras pessoais "ao ouvido".
5 Comments:
este e' um porblema frequente nao so' na catequese como na escola e mesmo em casa. as criancas e jovens de hoje j�' nao aprendem determinados valores infelizmente. fa�o votos de que a N. nao desanime.
Interessante esta "tese". A ter em conta diga-se de passagem.
Belo tema. Acho todavia, que se deve procurar uma disciplina consentida, pelo exemplo, pela seriedade, pela solidariedade (importante) e sobretudo pela importância a conceder sempre igual a cada um dos formandos...
Obrigada pela visita,
Ricky
Parabéns! Gostei muito desta matéria. Estas situações vêm de encontro exatamente com o que está acontecendo com muitos catequistas. Vale inclusive rssaltar a importância da busca interior em reconhecer onde está o erro, buscar a causa e procurar da melhor maneira ajustar sua melhora!
Muito obrigada pelas dicas!
Deus abençõe.
Luci Chiquim
Tenho um grave problema de indisciplina na minha turma do 6º ano. Comecei com eles no 3º ano ajudando a catequista deles e no 4º ano tornei me também catequista deles. Sei que a culpa da indisciplina deles grande parte é minha porque não conseguia ter mão e não estava muito confiante de mim porque eram as primeiras vezes que dava catequese, mas agora não sei como fazer, não sei como mantê-los calados, eu mando-os calar mas dali a 1 minuto já está tudo uma algazarra. Depois de 2 anos com eles já não tenho esperança que eles mudem (sim muita da culpa foi minha) mas que posso eu fazer agora? Ajudem-me, porque se isto continuar assim vou sair porque já não aguento mais. Digam-me o que posso fazer.
Obrigada
Enviar um comentário
<< Home