Sábado, Outubro 14, 2006

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>> FORMA BREVE>>

Uma convivência imperfeita... um (duplo) ajuizamento precoce... um post... a reprimenda...
Suspenso! É como este blog vai ficar (também).


>> FORMA LONGA>>

"Oi esta tudo bm cmtigo? imagino k ñ pois a noticia core depresa ñ é? (…) estou triste. (…) .(…) bjs ass: (nome) da catekese.bjs"

Esta SMS foi enviada por uma catequizanda de um dos grupos que acompanhei no ano passado.

Uma das algumas SMS que tenho recebido esta semana... das mais... digamos... das mais 'fáceis'...

Tenho procurado não alimentar a questão... resguardar-me... não intensificar esta querela... não me aproximar... e quando a surdina e o silêncio se revelam impraticáveis, acima de tudo, encorajado à continuação na Catequese... que uma pausa faz bem e é necessária... que o mundo dos adultos por vezes não é de fácil compreensão... que Jesus conta com eles... sempre... tenho procurado manter a calma e a serenidade... lá... cá...aqui dentro...

Não, não vale a pena complicar o que é simples...

Manter-me-ei firme no meu propósito de não agir, denegrir ou pretejar a imagem de quem quer que seja...

Não julgo ninguém.
Muito menos condeno seja quem for.
E como ser humano, como pessoa, tenho o direito de não ser julgada por ninguém.
Muito menos ser condenada seja por quem for.

Não sou vítima... Em qualquer contenda, todos são vítimas e todos são os maus da fita... Não há como fugir... Como tal não me vitimo pelo desfecho que este capítulo teve...

Já fiz pausas, sim... por vezes é necessário parar, em tudo na vida... Deixar que o intervalo dê lugar a um período introspectivo e de reflexão. Colocar a 'mecânica' de lado.

Mas a pausa é uma carência que deve surgir de dentro para fora... o contrário assume outras denominações menos amáveis... como as que tenho observado nos últimos dias.

Dei corda ao relógio. Pu-lo a andar para trás, como se de um filme se tratasse... procurei cada cena, cada momento, cada palavra.

Não estou magoada (só) pelo que aconteceu, mas acima de tudo sentida pela maneira como tudo se passou. Decepcionada também.

Além de que até hoje, ainda acreditei, sim, que as coisas pudessem mudar.
Cortejei uma certa dose de esperança…

Agora, estou desacreditada, embora conformada (ou quase isso).

Depositei muitas expectativas na possibilidade de começar do zero, sim... assim, devagarinho... prontifiquei-me, mostrei-me disponível para tal... com humildade... que o estou a fazer também por outras encostas... com total abertura... com firmeza... assim... olhos nos olhos...

A disponibilidade acabou por ser declinada...

Semi-declinada... (ok, posso estar magoada, mas devo evitar 'puxar a brasa à minha sardinha')... O convite "se quiseres, ao longo do ano vamos resolvendo isto", aliado ao 'correctivo' "mas dar catequese este ano é que não",... existiu sim... mas, bom, não combinam... pelo menos para mim...

"Para o ano"..

Não concebo as coisas assim duma forma tão simplista. O que muda 'para o ano'... assim?

Nas minhas orações (que durante um certo período de tempo primaram muito pouco pelo espiritual e pelo teológico, confesso), cheguei a dizer para mim mesma (para mim mesma, até parece!) que não daria mais um passo que fosse, enquanto não entendesse as razões para que algo que é tão sólido na minha vida, parecesse ser subitamente transformado em algo tão tíbio.

Divergências vão existir sempre porque somos indivíduos e felizmente temos mentes e corações distintos para pensar.

Pensar diferente, se for o caso. Pensar igual, quando tiver que ser também.

Quando feito nos domínios do respeito e da veracidade, todos temos como direito dizer / pensar diferente, ou igual, é certo (art. 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, se não me engano).

Fazê-lo com assertividade e coerência é o desafio.

Num relacionamento saudável, seja ele de que ordem for, são importantes atitudes construtivas, e não posturas que dêem lugar a um forte desgaste... físico e psicológico... Mútuo... Sei disso. Assumo-o.

Agora...

Bom, agora...

1 – Atrevo-me, mesmo conhecendo os limites da minha insipiência, a distinguir grandezas que me parecem bem mais elevadas que (im)compatibilidades (inter)pessoais... penso eu de que...
Fica um par delas:
- a realização plena do percurso catequético (com todas as pressuposições que induz);
- a Mensagem.

2 – A decisão unilateral de afastamento leva-me, não a vacilar na minha fé, mas, francamente, a duvidar dos Homens...
A complexidade de um sistema que se revela em constante mutação.
"Para Ser Catequista, há-que ter o Crisma feito". Ok. Uma busca rápida em documentos variados não trouxe um esclarecimento fundamentado. O chamamento, a disponibilidade e um curso de iniciação não eram suficientes. "O Crisma é essencial". Confirmação - Sacramento de Iniciação. Sim, tudo bem. Até 'não era nada comigo'... Havia celebrado o Sacramento da Confirmação na devida altura. A situação daquelas 5,6 adolescentes era diferente. "Porque são regras" não é explicação, mas ok...
Agora, 'brota' outra 'condição'.
Ignora-se a 'Confirmação', os 'Cursos de Iniciação', outros mais alguns, a disponibilidade, o empenho, o trabalho realizado, a relação com a comunidade catequética... abafa-se a exigência interior. (adenda: ordem aleatória).
Tudo é descrédito.
E dá-se lugar a um afastamento baseado tão e somente num relacionamento (inter)pessoal.
Um afastamento que questiona.
Que estrepita.
Que magoa.
Interpelo-me sobre muitas coisas a este respeito... não o faço aqui... No momento próprio, na altura devida, sim.

3 - Lamento que os Catequistas e outros grupos da paróquia tenham tido conhecimento da "decisão" antes de mim... a falta de comunicação como constante.

"- Por essas e por outras é que eu não me meto em nada"
"- Ir pra lá e depois andar como os que lá estão? Só dá chatices isso... Vou à missinha e chega muito bem"
"- Os que mais andam de volta das igrejas são os que menos vivem o que apregoam"
"- Os que se dizem cristãos e que dizem conhecer a Deus, no fundo o seu conhecimento não passa das páginas da Bíblia"


Quantas vezes já não ouvimos estes comentários? No nosso meio, mesmo...

Lamentavelmente, ainda há uma lacuna a nível da chamada 'eclesiologia de compromisso'... geral...

O Evangelho continua a ser mais explorado intelectualmente do que a ser feita a sua aplicação na prática.

A culpa? Não tenho a certeza se há lugar a 'culpas'... Em caso afirmativo, não morre solteira... Estende-se a todos... aos que falam, aos que ouvem, aos que trabalham, aos que trabalham menos...

Não o leio com o prazer com que saboreio outros autores, mas recordo uma frase de Saramago que dizia que "seria muito violento viver se não houvesse a esperança de deixar de o fazer um dia". É bem verdade... não necessariamente aplicada à vida, vida em si... mas a pequenos momentos, fracções, vivências dessa vida... esta frase faz muito sentido, sim….

Tudo tem um fim. É a lei da vida.
Mas tudo tem também um significado. (Também deve ser a lei da vida.)

Temos que saber reconhecer quando uma etapa chega ao seu términos.

Nem tudo é mau... O fim é evolutivo, basta querermos.

O que não adianta é persistir mais do que o tempo necessário... corremos o risco de perder as rédeas de outros desafios que temos ainda para percorrer.

É importante abrirmos espaço para que outras 'coisas' tomem o seu lugar.

"Espero que nunca te esqueças que podes sempre contar connosco e espero também que para o ano estejas outra vez aqui." – São palavras de uma catequista (lá) da paróquia. Obrigada.

"Tem paciência. Jesus ensina-nos a dar a outra face." – Dizia-me alguém que fez questão de 'revitalizar' o assunto. Penso com os meus botões: 'Ok, está bem, dou. Mas só tenho duas'!

"Não vais desistir, pois não? Não podes fazer queixa a ninguém?" – Não sou de o fazer... nem de 'desistir', nem de fazer 'queixinha'... nunca o fiz, nem um, nem outro, não seria agora. Aliás, queixa de quê? Não posso impor a minha presença e disponibilidade. Em termos cíveis, urbanos, burocráticos, jurisprudenciais, aplica-se. Aqui não. Não disputo sentimentos nem consciências. A oração e a serenidade são as melhores conselheiras. E o que de melhor continuo a ter para dar, juntamente com transparência e humanidade.

Não costumo prantear impertinentemente as partidas que a vida prega... seja a mim, seja aos outros... encaro-as de frente... tal como muita gente o faz e bem... fito-as e aplico-lhes a etiqueta do ABC...
(toda a experiência negativa leva-me a um) Amadurecimento
(sendo que depois da tempestade vem sempre a) Bonança
(na certeza de que Deus me Dará o suficiente em) Coragem

[Desta vez, bom, desta vez, teria que juntar umas quantas letras...]

Conheço "por dentro" outros "rumos".

Tenho o privilégio de no meu círculo de amigos, contar com "praticantes" e "não praticantes". Espíritas, Bahais, Cristãos Evangélicos, Cristãos Católicos, Cristãos somente...

Procuramos um entrosamento baseado no respeito inter-religioso, considerando a convicção espiritual de cada um (ou a falta dela, nalguns casos).

As nossas conversas não recaem necessariamente sobre "religião, política e futebol"... Mas quando acontece, a conclusão é uníssona: todos os caminhos, quando baseados no amor a Deus e ao próximo, levam-nos à santidade.
O importante é ser bom.

Podem parecer palavras vãs, tiradas dum livro qualquer de poemas... palavras que todos repetem mas poucos praticam, blabla barato... Mas que, no fundo, no fundo, não se revelam tão 'fúteis' quanto isso... São sempre as 'mesmas palavras' porque outras deteriorariam o sentido básico mas tão fértil da mensagem.

Eu acredito em Deus, sim, num único Deus, Cheio de amor e bondade, O Criador.
O N., q é Bahai, acredita em Deus, num único Deus, Bom e Misericordioso.
A M. acredita que há Alguém Maior que ela, que a ama e que não a abandona…

Ora, se eu acredito num só Deus, X acredita num só Deus, e Y acredita também num só Deus... bom, então só podemos estar todos a falar dO mesmo Deus!

O que há são 'rotas', caminhos diferentes, que nos levam a Esse mesmo Deus, que Quer trabalhar em nós. Só pode! Como 1+1 serem 2 (que nem sempre são, é certo!).

(Bom, não divagando…)

De entre um índice vasto, a Igreja Católica é a 'rota' que decidi seguir.
Uma decisão tomada consciente e livremente, uma posição assumida muito para além da tradição incutida ou de hábitos enraizados.

Um hábito não é uma necessidade!

Sou Igreja, sou Católica porque os seus fundamentos, os seus preceitos conduzem-me mais forte e ardentemente ao Amor dO Pai.

Uma Igreja formada por homens e mulheres que erram, sim. Que tropeçam, que caem… mas que também se levantam e, acima de tudo, que têm a capacidade de perdoar e amar! Homens e mulheres criados 'à imagem e semelhança' de Deus.

Confio que tudo o que é visível trata-se de uma manifestação do invisível.

E é nesta óptica que faço Catequese 'Católica': porque não posso guardar só para mim a grandeza desse amor divino, dessa comunhão com Deus.

Uma comunhão verdadeira, despretensiosa. Tão íntima e ao mesmo tempo tão desabotoada a todos quantos a queiram conceber.

Tempos houve em que 'dava' Catequese...

Outros houve, em que 'fazia' Catequese... ora porque até há poucos catequistas... ora porque se assiste a uma crise de fé... porque até gosto de crianças... por boa-vontade... ou para retribuir aquilo que também me deram a mim...

Os tempos mudam... Mudam-nos... Hoje, procuro aprofundar e descobrir novos alicerces para o porquê de "Ser Catequista"... Ainda não são definitivos, é certo, mas são mais consistentes, sem dúvida… Mais densos... Dia após dia...

Partilhava a I., num email, que o nosso encargo é tamanho, tamanho, que através da Catequese, fazemos parte da vida de dezenas de crianças, adolescentes, pais. De toda uma comunidade... Muitas vezes, a/o Catequista é uma referência até na escola dos catequizandos. Ao mundo deles levamos Jesus... um assimilar mais manifestado nuns que noutros, é certo... menos ou mais exposto... Mas sempre presente. Pessoas diferentes... Carências diferentes... Sentires diferentes... Uma mesma presença: a dEle!

O 'personagem' catequizando deixou de ser um mero receptor da mensagem... Hoje não! Hoje cada catequizando, como individuo que é, e nas características próprias que esse estatuto lhe confere, cada catequizando é também ele interlocutor e parceiro na caminhada de fé.

As certezas deixaram de ser construídas em castelos de areia, e passaram a ser arquitectadas, planeadas, erguidas tijolo a tijolo (que é como quem diz, Verdade a Verdade).

Tenho vindo, assim, a levar avante o projecto da minha 'casa'... Outros há que fazem o mesmo, mais e melhor ainda, graças a Deus!

Procuro fazer Catequese há mais de 10 anos.

Trabalhei na paróquia. ... Ao longo dos últimos anos, desenvolvemos um grupo de catequese organizado, estruturado, notável mesmo... Com dificuldades e privações próprias de quem caminha, é certo. Trabalhei com a paróquia. Na Catequese e não só... Com carinho, muito... Sem necessidade de grandes sacrifícios externos ou renúncias aparentes... Quando actuamos com total abertura e disponibilidade, o lado 'menos bom', uns certos e eventuais 'espinhos', convertem-se em pétalas perfumadas, coloridas como convém...

(Mera) poesia? Discordo!

Quanto muito, um ideal utópico de uma Igreja fiel aos princípios do Seu Criador.

Quem dá, dá-se, caramba! Quem o faz, sabe do que falo...

Todos temos muito para dar...

Nem doutra forma pode ser! Ele Dá-nos muito mais num minuto do que aquilo que nós Lhe poderemos dar numa vida toda!

Por isso, não... não volto as costas à Igreja... talvez sofra mesmo da tal teimosia que me leva a permanecer fiel. Agora sim! Um dos meus (muitos) defeitos emerge: a teimosia! ;-) Esta é diferente, JR.! ;-) ehehe

Bom, a sério...

A fé não se perde porque a igreja até está velha e a cair... a fé ganha-se porque a igreja precisa de obras e eu vou trabalhar para isso, em comunidade.... A fé não se perde porque o relógio da torre parou... a fé ganha-se porque o relógio precisa que eu o acerte, e que lhe dê corda, constantemente... A fé não se perde porque a,b ou c criticam e até magoam... a fé ganha-se porque eu amo a,b e c como eles são, submergindo os seus defeitos e engrandecendo as suas qualidades. São criaturas do mesmo Criador. Deus não Erra nem Comete equívocos!

Somos cristãos para amar, anunciar, socorrer... [um pouco o tríplice múnus - Sacerdotal, Profético e Real – de Cristo de que fala a Constituição Dogmática 'Lumen Gentium' – a Luz dos Povos (n.º 31)].

Somos cristãos quando as provações nos fazem crescer, amadurecidos pelas dificuldades.

Somos cristãos quando conservamos a esperança.

Somos cristãos quando não hesitamos em realizar "grandes" obras, comprometidas com a vida.

Somos cristãos quando ultrapassamos a atribulação sem nos deixarmos comprimir por ela.

Somos cristãos quando, como diz S. Pedro, estamos "sempre prontos a responder em (nossa) defesa a todo aquele que (nos) pedir a razão da esperança que há em (nós)" (1 Pd 3,14-15).

Somos Cristãos quando seguimos a recomendação de Maria: "Fazei tudo o que Ele vos Disser" (João 2, 5)

Somos cristãos quando praticamos o Cristianismo.

Com uma comunidade ou com outra, mas sempre com Cristo.

Como nos diz a 'Gaudium et Spes' há-que colocar de lado a desilusão, o desalento, a hesitação, a fadiga e, descobrir novas iniciativas, levando-as à prática.

Tudo começa por um Início.

Não retenho uma definição exacta de 'Início'... nem sei tão-pouco se existirá... À falta de melhor, rejo-me por uma das leis de Newton que assimilei no tempo de estudante: tudo é constante e inerte até que algo o coloque em movimento.

Por isso, talvez dê início à caminhada noutra paróquia, sim.

Num pequeno encontro de Catequistas, tive a oportunidade de conhecer um pouco mais 'dessa' paróquia... (O tempo encarregar-se-à de a carcaterizar como a 'minha' paróquia...) já me apercebi das imensas carências a nível de Catequese... Falta tanta coisa... Partilhei algumas ideias... O entusiasmo notou-se. Devagarinho... Passo a passo... A expectativa é grande! O desafio é maior! Exige acção, compenetração, empenho.... Dedicação! Caminho! A ver vamos…

E para quem conseguiu chegar até aqui ;-)uma achega final, mesmo a terminar: não escrevo para 'parecer' bem, para passar uma 'imagem' ou para arreliar...

Faço-o porque descobri que as palavras também podem pintar, desenhar, rabiscar Deus.

Ele Vive em mim também através das letras que escrevo... das letras que tantos escrevem!

Quantos blogs não há que são verdadeiros testemunhos de Amor a Deus? Conheço centenas... muitas mais estão ainda por descobrir, é certo.

Cada palavra sobre Deus ganha vida e cor.

Cada letra minha, tua, nossa, é um pedacinho de nós, para Deus desenhada (teclada?)

É um refúgio de murmúrios, de alegrias, de partilha, de conversas entre "nós", sejas tu, que estás desse lado, quem fores.

Não sou boa com aguarelas e canetas de feltro (os catequizandos sabem-no :-)).

Por isso, pinto, pois, Deus, da forma que sei: escrevendo.

Quanto ao "Catequiso, logo… existo!"... bom, o lema mantém-se.. Assim... sem exibicionismos chatos ou ostentações exorbitantes....

O blog é que não...

Como já o disse anteriormente, é tempo de continuar, mas noutra direcção... na dimensão virtual não há-de ser diferente…

A experiência, as pessoas que "conheci", as opiniões, as dicas, as ideias partilhadas... nossa... quanta gente e sapiência abracei neste ano de blogosfera...

Todas as palavras e experiências compartilhadas ensinaram-me muito e contribuem para me tornar uma catequista, uma pessoa melhor, mais esclarecida.

Bom, reconheço que este espaço não primou pela quantidade extrema, nem tão pouco pela qualidade teológica/erudita que talvez um espaço destes deveria respeitar...

Também não foi um campeão de visitas, é certo... Poucas, mas boas, como diz o povo...

Desde a sua génese, há (havia) 3, 4 pessoas que me conhecem, que conhecem o blog e que nos associam...
Hoje, há mais... parece que muitas mais... Se isso é bom? Se é menos bom? Não encontrei ainda uma resposta plausível e fundamentada, como todas as respostas devem ser....

De qualquer forma, fica interrompido...

O endereço electrónico (catequiso.existo@mail.pt) mantém-se. [Um aparte: ainda estou a ‘dever’ material a alguns catequistas… Ups!... Sei disso… Responderei a todos os emails, sim. Continuarei a auxiliar, dentro da minha humildade e pequenez, o percurso catequético doutros colegas de caminhada. Sei que me espera o mesmo desse lado! Tem sido frutífera, sim, a partilha! A minha sugestão é que persista!]

Eu continuarei pois...

Noutro espaço.... Noutro blog, talvez...

Por aqui, as coisas ficam assim...

Aqui e agora.





Oração do Abandono (Charles de Foucauld)

Meu Pai,
Eu me abandono a Ti,
Faz de mim o que Quiseres.
O que Fizeres de mim,
Eu Te agradeço.

Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a Tua vontade se faça em mim
E em tudo o que Tu Criastes,
Nada mais quero, meu Deus.

Nas Tuas mãos entrego a minha vida.
Eu Te a dou, meu Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque Te amo
E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas Tuas mãos sem medida
Com uma confiança infinita
Porque Tu És...
Meu Pai!

Quinta-feira, Outubro 12, 2006

+ Hospital da Consciência +

"HOSPITAL DA CONSCIÊNCIA"
(enviado por email pela Catequista Dany)

Assim como anualmente se deve procurar fazer um check-up medico geral, há-que diariamente fazer uma consulta espiritual...

Pois eu fui ao hospital de Deus fazer uma revisão de rotina e constatei que estava doente...

• Quando Deus me mediu a tensão, viu que eu estava baixa de Ternura...

• Ao medir-me a temperatura, o termómetro registou 40 graus de Egoísmo...

• Fez-me um electrocardiograma e o diagnóstico foi preciso - necessitava de vários “By-pass” de Amor - as minhas veias estavam bloqueadas e não abasteciam o meu coração vazio...

• Passei pela ortopedia. o podia caminhar ao lado do meu irmão e tão pouco podia abraçá-lo, porque tinha feito uma fractura ao tropeçar quer na minha Vaidade, quer no meu Orgulho...

• Também me encontraram miopia, já que não podia ver para lá das Aparências

• Quando me queixei de surdez, Deus diagnosticou-me ficar só nas palavras vazias de cada dia.

Foi então que Deus me disse: Ao saíres daqui, Promete usar somente os remédios naturais que te receito, mediante a Minha Palavra

Assim:
• Para começar, amanhã de manhã tomarei um copo de Agradecimento
• Ao chegar ao trabalho, uma colher de sopa de Bom Dia
• A cada hora um comprimento de Paciência, um copo de Humildade, e duas unidades de Bom-Humor...
• Ao chegar a casa, prometo, vou ter diariamente uma injecção de Amor, e ao deitar-me, duas cápsulas de Consciência Tranquila.

O bom disto é que as consultas são gratuitas…e sem fila de espera!

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

Bibliografia na Catequese

O desafio é identificarmos obras bibliográficas / documentos relevantes para o magistério do Catequista...

Assim de repente, ficam 3:

- Bíblia Sagrada;
- Catecismo da Igreja Católica;
- Catechesi Tradendae, de João Paulo II (1979).

Terça-feira, Outubro 10, 2006

"quando nos damos aBuNdAnTeMeNtE, metade do mundo pensa que somos loucos…" (Anónimo)

Novembro de 2005
Celebração do Sacramento da Confirmação

A R. era uma das catequizandas do primeiro ano.
Porque o espaço destinado à Catequese se revelara insuficiente, estava sentada no meu colo, enquanto decorria o momento da Comunhão...
O grupo coral que animava a Eucaristia iniciou então o cântico:
"Eu Vim, para que tenham Vida, e a tenham em abundância.
Eu Vim, para que tenham Vida, e a tenham em abundância."
(Jo 10,10b)
A dada altura, a R. inclina-se e pergunta, num sussurro:
- Catequista, o que é 'abundância'?
- 'Abundância' significa muito, significa uma grande quantidade de Vida...
- Muita vida, Catequista?
- Sim, muita Vida...
- Até aos 60 anos?
- Esta Vida que Jesus fala é mais vida, ainda, que 60 anos...
- Até aos 1000 anos??
(Mil anos??! – mas onde é que esta pequena foi buscar este número? Só frequenta a escola há uns dias...)
- Ó R., esta Vida que Jesus fala não se conta assim, por anos...
Interrompeu-me:
- Ah!, já sei: é até ao infinito, não é?

Olha, sabes que mais, tens razão, R.... a Vida que Jesus traz é infindável, excepcional, eterna... infinita sim!

Mais ainda quando esta presença fértil se caracteriza por uma entrega contínua, onde Lhe pedimos que tome conta da nossa Vida e faça de nós a pessoa que Ele Deseja que sejamos...

Mais ainda quando, para a experimentarmos, acolhemos com carinho e compromisso a mensagem que Ele próprio nos Deixou, e fazemos da Sua Palavra a nossa vivência diária.

É a certeza de que Ele não nos decepciona...

No fundo, é acolhê-lO e fazer desta aceitação uma opção de Vida total por Ele, pelos Seus ensinamentos, pela Sua Palavra....

E depois de experimentada esta verdadeira abundância, veremos que ser rico [fica já uma achega para o Evangelho do próximo Domingo], muito pouco tem a ver com aquilo que eu possuo... tem sim tudo a ver com aquilo que eu sou – quando partilhamos quem somos, a verdadeira abundância acontece.

Há mais: como comentava (e bem) o Paulo num post anterior, as coisas não se podem ficar pela teoria... há-que passar à prática... inverter caminhos, se necessário...

Como?

Quanto mais...
- permitir, na hora H, que a abundância aconteça em mim, de dentro para fora (e não o contrário);
- penetrar no mais íntimo do nós (eu+Deus), e tomar consciência da dimensão da minha interioridade;
- quanto mais...
- quanto mais...

E não, não são necessários grandes gestos, obras opulentas, palavras complexas...

Basta 'amar'...

... 'A-M-A-R'...

Digo-o, soletro-o e repito-o sem qualquer pudor ou ritualismo linguístico...

Certamente todos nós amamos a Vida. Ainda que contornando os pequenos obstáculos que vão surgindo... Ainda que por momentaneamente até pareça que não merecemos isto ou aquilo... Ainda que com a certeza de que, um dia, ela terá um fim... passageiro.

Amamos sim...

Optimismo excessivo? Hummm... Não sei...

Vejamos: os ginásios prolificam, a alimentação natural conquista diariamente novos adeptos, as caminhadas entram na rotina de muitos, os chás milagrosos prometem saúde e juventude.

Ok, não posso conduzir-me por sendas tão utópicas, ao ponto de ignorar "o outro lado"... É certo que, se por um lado, quase corremos atrás de poções encantadas para resguardar a vida, por outro lado, assiste-se a um "conceito" de vida que a revela tão frágil e enferma: homicídios, suicídios, sequestros, pedofilia, doenças graves, etc., etc... Não esmoreçamos... Também aqui, não estamos desprotegidos... Jesus lança o desafio: «Vinde a mim» (Mt 11,28).

Num e noutro caso, falamos da vertente humana da Vida, é certo...

No que toca à dimensão espiritual...

...Todos temos algo para dar... isto é inegável!

Talvez A seja um bom ouvinte, talvez B tenha jeito para artes florais, para pintura, música... O C pode ser um bom falante... Brotam do D gestos de acolhimento e partilha...

Essa é a abundância, a abundância de cada um!

Mas daí a experimentarmos a verdadeira vida em abundância...

O segredo? Talvez conjugar o melhor de ambas as dimensões... Jesus Fê-lo... A Sua natureza divina estreitamente ligada à Sua natureza humana...

Recordemos a analogia dos ramos unidos à videira (Jo 15,5)
*Vida gera Vida*

Recordemos o mandamento maior: Amar como Ele Amou (Jo 15, 9-12)
*Amor gera Amor*

A firmeza é sempre esta: Ele Veio para que TODOS tenham VIDA... e, mais do que isso, VIDA EM ABUNDÂNCIA.

Para terminar, um pouco de 'Experiência Humana' ;-)
Há uns anos atrás, numa sessão de Catequese enfatizava esta generosidade tremenda de Jesus (que não só Veio para termos Vida, mas mais ainda, Vida em abundância).
Um dos catequizandos, num gesto fácil e espontâneo, lá se saiu com uma expressão que guardo até hoje: "Também… não Se fica por menos…."

10 Outubro - 125 anos sobre a morte do CATEQUISTA DE ÁFRICA - S. Daniel Comboni


"Tende coragem; tende coragem nesta hora difícil e mais ainda no futuro. Não desanimeis nunca. Enfrentai sem medo todo o tipo de tempestade. Não tenhais medo. Eu morro, mas a minha obra não morrerá".

www.combonianos.pt
www.comboni.net

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

(a)corda!

Já não a via há algum tempo... Há semanas, talvez... Dois beijinhos e sentou-se na minha mesa do café. Palavra puxa palavra... Como vão as coisas na escola... Testes marcados? Ups... E lá por casa? ...Ainda bem... Sim, essas calças assentam mesmo bem... Compraste nos saldos? Só?? Que pechincha... E quanto a Catequese.... Catequese, sim começa agora, certo?... Uns dizem lá na escola que vão, outros nem por isso.... E tu? ... Eu? ... Não sei... Não sabes?...Não, não sei, Catequista... Mas afinal não sabes o quê?... Se vou continuar na Catequese, essas coisas... Ok, mas e então porquê?.... Porquê?! Ora, Catequista, ACORDA!!!!

[Bolas! Será assim tão óbvio?!]

(Ainda brinquei...) Ouve lá, o que é que tem "a corda" ? Riu. ... Depois, mais a sério... Conversámos... Afinal, "a corda" existia sim... Se bem que mais se assemelhasse a um cordel... Um fiozito... (Talvez seja da idade)... (... será ?)... O tempo acabou por se fazer pouco, mas suficiente para 'sacudir' algumas... digamos, algumas 'coisas'. Havemos de continuar esta conversa. Entretanto, vou esfregando os olhos, procurando activamente manter-me... acordada...

Levar o Catequizando a abrir-Lhe a porta, recebê-lO e cear com Ele... (Ap 3, 20) – este é o desafio da missão do Catequista. A conversa de ontem reforçou-o mais ainda...

Sábado, Outubro 07, 2006

DECÁLOGO DA SERENIDADE, de Ângelo Joseph Roncalli (Papa João XXIII)

Dez sugestões de conduta para quem aspira à Paz...consigo, com os outros, com Deus...
Para ir colocando em prática no início de mais um ano de Catequese...

i - Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez.

ii - Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência, cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.

iii - Hoje, apenas hoje, serei feliz. Na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste.

iv - Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos.

v - Hoje, apenas hoje, dedicarei 10 minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.

vi - Hoje, apenas hoje, farei uma boa acção, e não direi a ninguém.

vii - Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.

viii - Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado, talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei, e fugirei de dois males, a pressa e a indecisão.

ix - Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem o contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo.

x - Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo de gozar o que é belo, e de crer na bondade.

Sexta-feira, Outubro 06, 2006

S. Pio X - Patrono dos Catequistas

... Hoje, um pouco de História...

O Papa S. Pio X nasceu a 2 de Junho de 1835, em Rise, no Treviso, norte de Itália. Foi baptizado no dia seguinte com o nome de José Melquior Sarto.

O seu pai, funcionário estatal, faleceu ainda novo, deixando a sua mãe, Margarida Sanson, viúva com dez filhos para criar, sendo José o segundo.

De família muito simples e religiosa, o pequeno José, com muito esforço e sacrifício conseguiu entrar para o Seminário de Pádua, onde estudou. Desejou ainda interromper os estudos para auxiliar a família, mas a mãe estimulou-o a continuar, tendo sido ordenado Sacerdote aos 23 anos.

Durante 9 anos, foi Capelão em Tombolo. Por mais 9, foi Pároco em Salzano. Por outros 9, foi Cónego e Director Espiritual em Treviso. Durante 9 anos, Bispo de Mantua. Outros 9 anos, Catedral-Patriarca de Veneza.

O Cardeal José Sarto, foi então eleito Papa em 4 de Agosto de 1903, quando ocupou o lugar do Papa Leão XIII, por 55 votos (em 60).

Tomando o nome de Pio X, chamava a atenção pela modéstia e pobreza. Àqueles que o chamavam de 'santo', José Sarto respondia: "Não santo, mas Sarto".

Conta-se até que pediu dinheiro emprestado para comprar as passagens de ida e volta rumo ao conclave que o teria escolhido Papa, pois não acreditava num erro do Espírito Santo.

O lema do seu pontificado era o de "Restaurar todas as coisas em Cristo" - Instaurare omnia in Christo.

Promoveu a renovação litúrgica, reformando / simplificando a música sacra, propôs aos fiéis a comunhão frequente, derrubou as barreiras seculares que separavam a Cúria romana da prática pastoral e favoreceu a fundação de um Instituto Bíblico em Roma, em 1909, anexo à Universidade Gregoriana.

Elaborou o novo texto do Catecismo, codificou o direito canónico, favoreceu a instrução religiosa das crianças com o catecismo, permitindo-lhes fazer a comunhão em tenra idade.

Procurou, em vão, evitar a I Guerra Mundial, condenando o neologismo que envolvia a sociedade e rebatendo por amor à Verdade, o relativismo moderno e a ignorância religiosa.

No decorrer dos seus 11 anos de pontificiado, foram lançados mais de 3.000 documentos oficiais.

Morreu em Roma a 20 de Agosto de 1914, aos 79 anos.

São Pio X, um dos maiores Pontífices de todos os tempos, foi o único Papa canonizado no século XX, a 29 de Maio de 1954.

No dia 21 de Agosto celebra-se a sua memória litúrgica.

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Pode até ser só uma questão de interpretação, mas...

--> Qual é a expressão mais correcta...

a) Catequese de Adultos?
b) Catequese com Adultos?
c) Catequese para Adultos?

... Uma dúvida despontada na conversa desta tarde com a N....

Sábado, Setembro 30, 2006

"O Catequista que reza, [não] precisa de formação?"

Um dos frutos da criação e manutenção do 'Catequiso', é a troca de correspondência electrónica que se tem proporcionado (intensificado!) com alguns Catequistas de paróquias de vários pontos do país.

Temos vindo a cruzar material formativo, sugestões, dicas...

Temos tido a oportunidade de partilhar experiências, opiniões, sentimentos...

E tudo isto, tendo como base esta vivência que é Ser Catequese!

Um dos últimos 'rendimentos' desta agradável partilha, é um artigo simples, curto, ligeiro..., mas com uma temática de fundo atraente: Formação - porquê (ainda) uma certa 'resistência'?

Foi-me enviado pela Isabel, Catequista na região Centro.

Aqui fica (com a menção possível quanto à autoria do mesmo):


O CATEQUISTA QUE REZA NÃO PRECISA DE FORMAÇÃO?

Certa vez um catequista disse: "Gosto de rezar bastante. Rezo todos os dias. Não preciso de formação como os outros catequistas, pois o Espírito Santo ensina-me tudo".

E tu, o que responderias a este Catequista?

Quem deseja viver bem tem que cuidar da saúde, da alimentação, da família, do trabalho, do descanso, das amizades, da oração, do estudo... Se cuidamos só de certas dimensões da vida e não de todas, paramos de crescer.

O Espírito Santo santifica-nos não só pela oração, mas por todas as dimensões normais da vida. Fala-nos por meio da alegria, da paixão, da solidão, do sofrimento, da amizade...

Não adianta rezar constantemente se fechamos os olhos ao que Deus nos diz através da vida. Com o Catequista não é diferente. Para assumir a sua missão, ele precisa conhecer e cultivar a vida em todos os aspectos.

A formação é essencial. Favorece o amadurecimento da fé do Catequista e oferece-lhe condições para levar os catequizandos pelo mesmo caminho.

O “Estudos n° 59 da CNBB, Formação dos catequistas”, oferece pistas interessantes:

1- Formação pessoal e comunitária: conhecer-se a si mesmo, procurar crescer a cada dia, abrir-se ao relacionamento com as pessoas da comunidade.

2- Formação da espiritualidade: aprender a abrir-se à acção do Espírito Santo. Unir oração e vida a partir de Jesus, da Palavra de Deus, da vida da Igreja e da realidade do povo.

3- Formação bíblica: conhecer, meditar e rezar a Palavra de Deus, o texto mais importante da catequese.

4- Formação teológico-doutrinal: conhecer os ensinamentos de Jesus, explicados pela Igreja.

5- Formação litúrgica: aprender a celebrar a fé no Cristo ressuscitado como ponto alto da vida eclesial.

6- Formação metodológica: desenvolver a capacidade de conduzir a catequese de forma criativa, respeitando necessidades e conteúdos.

Em suma: podemos dizer que a oração é o cimento que une tudo... e a formação é a olaria que fornece os tijolos!
(Equipe do ECOando)

Terça-feira, Setembro 26, 2006

Conselhos para seres uma Catequista [(mais)] Simpática

O H. fez-me chegar hoje via email umas dicas, como dizia, "(…) para seres uma Catequista à maneira".

... Que andava a fazer umas pesquisas sobre a "Amizade" para um trabalho de Moral, quando acabou por encontrar umas 'anotações' para Catequistas, que achou por bem enviar para mim e para a Catequista do ano passado.

Ora então, aqui o Sr. Catequizando do 7º ano sugere que um(a) Catequista Simpático(a) se deve reger pelas seguintes normas:
[Adenda: ok, confesso, o [(mais)] é da minha autoria… mas, bolas, H., quem ouvir até pensa, não??!] ;-)

::Conselhos para seres uma Catequista [(mais)] Simpática::

1. Aprende a fixar os nomes dos catequizandos. O nome de uma pessoa é muito importante para ela e indica o teu interesse por essa pessoa.

2. Faz com que todos se sintam bem na tua presença.

3. Adquire a capacidade de manter a calma e de não te perturbares facilmente.

4. Não sejas egoísta. Não dês a impressão de saber tudo. Sê natural e humilde.

5. Torna-te atraente e alegre.

6. Modela a tua personalidade de forma a evitares toda a agressividade.

7. Tenta remediar qualquer mal-entendido presente ou passado.

8. Exercita-te no gostar das pessoas.

9. Nunca deixes de congratular e elogiar os êxitos dos outros e de expressar a tua solidariedade nos momentos difíceis.

10. Procura ser sempre uma pessoa que vive da fé, para ter algo de mais transcendente a dar aos catequizandos.


Ora então, e porque se pretende que o 'Catequiso' seja um espaço de partilha e reflexão, porque não tu, Catequista, no arranque de mais um ano de Catequese, partilhares quais os pontos que te parecem mais delicados e/ou que implicam mais empenho do 'lado de cá'?

Quarta-feira, Agosto 16, 2006

“Assim que compreendi que havia Deus, soube que não poderia fazer outra coisa mais que viver para Ele.” (Charles de Foucault)

Aos 27 anos, começo a questionar-me mais seriamente sobre o que a Igreja realmente quer de mim. Felizmente, não tenho que mercar nem mendigar em lugar nenhum e junto de ninguém a minha felicidade em Deus: esta dependência dEle, esta intimidade com Ele é parte integrante e evidente de cada molécula de ar que respiro, de cada milímetro de chão que piso, de cada fracção de segundo que existo...

Contudo, o que é certo é que, após uma infância e adolescência caracterizadas pela procura incessante, achava agora já estar pois na posse de todos os instrumentos mentais e morais para discernir o que é verdadeiramente importante na minha vivência como Igreja.

Vejo porém que talvez seja a hora de admitir que, afinal, a aversão à luz está ainda bem mais presente do que poderia imaginar.

A Catequese, p/ ex., tem ainda muito de obrigação e muito pouco de vocação...

Por um lado, as crianças e adolescentes são ainda obrigados a 'ir' à catequese, a 'assistir' à Missa, a 'fazer' a Primeira Comunhão (e a segunda, terceira?)... Mais por tradição do que por convicção, os pais baptizam os filhos e as filhas numa fé que os próprios desconhecem... As crianças são matriculadas na catequese porque o propósito de dever e obrigação assim o determina. Um propósito que porventura nunca foi deveras evangelizado... Mais do que viver com(o) Jesus, o importante para a maioria dos pais é que a criança / adolescente cumpra os ritos, adquira os sacramentos e... missão cumprida! O resto é 'para os outros'...

No que toca aos Catequistas, Leigos, e todos aqueles que 'abraçam a missão', por vezes a tela não é muito diferente... a confusão entre Evangelho e moralismo está bem patente... por vezes bem demais até... Assiste-se a uma cultura de contentamento em se estar nas "boas simpatias do Sr. Padre", ao invés de se procurar ser coerente na fé que professamos e na vida que levamos.

Num caso e noutro, há notáveis excepções, sim. Conheço algumas... E estas não me levarão a mal se, mesmo correndo o risco de entrar em generalizações injustas, afirmar que o cenário, de uma forma global, acaba por ser este...

O desafio é pois grande... não há como o esconder... da mesma forma que não há porque o temer...

Como Catequista, sempre procurei estar consciente do longo e por vezes sinuoso caminho a percorrer... mas esta vontade de fazer parte da caminhada é superior a qualquer cansaço ou dificuldade de entendimento... esta canseira enche-me de satisfação e faz-me feliz realizá-la, porque a cada momento saboreio o prazer de me sentir amada incondicionalmente por Alguém Maior que eu.

O que não posso esconder é, por sua vez, o desencanto generalizado que me tem assombrado no que respeita a comportamentos que assisto, que me interpelam e magoam.

Atitudes defensivas de uma certa alergia à auto-crítica que presencio em quem deveria ser parceiro de caminhada, mas que, ao contrário do que seria de esperar, acaba por se revelar pouco ou nada entusiasta e animador.

Actos que pensava só persistirem em alguns dos prelados mais conservadores, confesso...

É pena (muita pena, mesmo), quando, em vez dum parceiro, encontramos um opositor, cujo despotismo e obstinação o impede de cooperar, a menos que seja o próprio a ditar as leis.

Verifico que "o Sr. Padre" ainda é uma instituição temida, que revela uma certa falta de capacidade em escutar com tranquilidade os pontos de vista alheios e que demonstra uma enorme dificuldade em reconhecer a razão dos outros.

Verifico que predomina ainda a ideia incorrecta de que a obediência faz silenciar as dúvidas e conduz às verdadeiras respostas.

Verifico que ainda não se prima por uma discussão leal e tolerante, sem necessidade de recorrer ao autismo e à agressividade.

Verifico uma certa dificuldade em se discutirem questões complexas com tranquilidade, distanciamento e profundidade, suprimindo quaisquer tentativas de condicionar as opiniões dos outros.

Verifico uma excessiva resistência em aceitar que, felizmente, Deus É O nosso único ou principal Juiz, e abaixo dEle só a consciência de cada qual... E que, doutra forma, tudo não passa da técnica do "bota-abaixo”.

E é com base nestes e outros preconceitos, que por vezes se faz uma leitura limitada e distorcida da realidade, utilizando-se generalizações um tanto ao quanto incongruentes.

Apesar de tudo, é possível chegar à fala, sim. E por mais que uma vez. Com afecto, respeito e firmeza. Olhos nos olhos. Mas depois 'volta tudo ao mesmo'. (A verdade é que a experiência de diálogo torna-se difícil, impraticável mesmo, e definitivamente estéril, quando há menos de dois interlocutores...).

Do que a vida me tem mostrado, achava eu que esta atitude era típica de pessoas que pensam não ser amadas por ninguém. De pessoas que renunciam ser seres humanos e insistem em ser 'mais um'. Francamente, e com todo o carinho e respeito, não me parece ser o caso... Mas, e então, será culpa do sistema?

É certo que uma mudança exige processos de crescimento e maturidade, de parte a parte... de quem acolhe e de quem é acolhido... Na 'mudança' de pároco, aliei a estes dois ingredientes mais alguns, como a paciência, a motivação, a disponibilidade, a tolerância…

Mas agora, passados dois anos, o esforço revela-se quase infrutífero...

Tudo porque...

... Um pouco menos de preconceito seria importante... o preconceito não nos deixa ver, ouvir e compreender correctamente o outro.

... Um pouco mais de adaptabilidade às circunstâncias, com firmeza, sim, mas também flexibilidade, seria pertinente.... conservando sempre a dignidade.

… Tudo porque se continua a viver e a reviver o velho "complexo de Sansão"...

É uma desilusão, uma emoção estranha, de repente nos apercebermos da nossa ingenuidade, quando alguém se sente afrontado com as nossas questões.

É deveras complicado quando há tendência para o enredo em fastidiosas discussões com o intuito de se mostrar, embora sem sucesso, quem manda.

É deveras precário quando se entra em ataques, sem que estes estejam devidamente fundamentados, sem que se demonstre um mínimo de seriedade e se acabe por debater pessoas, em vez de ideias ou obras…

É deveras ilícita a avaliação e selecção de recursos baseadas apenas e somente na (in)compatibilidade interpessoal.

É deveras condenável o accionar de mecanismos menos assertivos para distanciar quem não agrada ou é inoportuno, afastando-se a apresentação de quaisquer alegações ou fundamentos válidos.

Por questões educacionais, culturais ou outras, pode até ser inquietante, mas há-que enfrentar a realidade: 'ser' só não basta... é preciso 'estar', é preciso 'amar'.

Sempre fui apologista de que tentar agradar aos outros, por si só, não é necessariamente a melhor maneira de fomentar uma relação autêntica, seja ela de amizade, laboral, social, etc...

Peço constantemente desculpa por esta frontalidade, mas é assim que eu sou. É assim que eu penso...

Obviamente que andarmos por aí a desfrutar de fama de 'medonhos', 'temíveis'... não é caminho. A coerência tem que marcar presença, sempre...

Mas daí a assistir-se a uma cultura do medo, em vez de comunhão.... bolas!

É louvável a satisfação de servir a paróquia, mas é preciso ir mais longe e amá-la.

E francamente, esperava mais... muito mais...

Mais do que uma (con)vivência de dois anos que não cultivou o saber, a crítica e a auto-reflexão, mas antes encorajou a obediência e desencorajou a pergunta.

Mais do que uma (con)vivência onde o que hoje está muito bem, amanhã... está muito mal...

Quando as questões são feitas para crescer... e a mensagem não é devidamente compreendida... isso não é bom...

Quando as inquietações, colocadas em tempo e lugar precisos, procuram apenas partilhar a fé cristã.... e acabam por ser interpretadas como 'afronta' ou tratadas com desleixo... isso também não é nada bom...

Quando o modo de viver esta fé é feito com liberdade, audácia, criatividade e responsabilidade... mas não 'encaixa' no argumento (que impressiona, mas é fraco), da submissão e da obediência.......

A necessidade de espaço para pensar e a carência de tempo para meditar, acolhidas com desprezo... e desigualdade!

Bom, o que é certo é que cansa ser-se presenteada constantemente com estes e outros mimos...
(embora a tendência seja para se continuar a agir como se nada fosse...).

E quando as coisas estão prestes a chegar ao rubro, parece que o Evangelho de Jesus e a mensagem messiânica só atrapalham... e ficam na gaveta bem guardadinhos... para se dar lugar a uma convivência que de caridosa tem muito pouco...

Nunca o ditado "olhai o que eu digo e não o que eu faço" fez tanto sentido...

Caramba! Esta discrepância da mensagem cristã.... Esta condição em que o pároco se torna 'uma Igreja' difícil de compreender... :-(

Esta moralidade tão flexível…

O meu conceito de comunhão ('comum união'), obviamente desprovido de qualquer rigor teológico, prende-se a uma pluralidade de modos diferentes de ver, agir, sentir, numa mesma Igreja...

Uma Igreja que não afasta ou julga quem não pensa, não age ou não sente o mesmo que eu (Mt 7, 1-5).

Uma Igreja que, ao dar a conhecer a mensagem cristã, se esforça por incarnar a beleza da Boa Nova de Jesus.

Com todo o carinho, espero que um dia isso ainda aconteça....

Mas porque "Um homem só tem direito a olhar outro de cima, quando irá ajudá-lo a levantar-se" (Gabriel García Marquéz) a minha admiração por Jesus Cristo continua inabalável, apesar de tudo...

Felizmente....

Importante, importante, é esta certeza!

O conflito poderia arrastar, inevitavelmente, uma necessidade de afastamento, de desencanto, de desalento e desânimo totais... (Estaria em condições de enumerar uns cinco ou seis casos... )

Mas esta necessidade primária de O levar, de não guardar só para mim este Amor tão grande, é algo 'meu' que o meu 'eu' não controla...

Apesar de me notar cada vez menos tolerante com determinadas práticas que, em vez de edificantes, se revelam altamente coercivas, subsiste a certeza de que Jesus Cristo nada tem a ver com questões de mera conveniência.

Aliás, de coração, tenho a ténue esperança de que esta experiência pessoal negativa me fará crescer mais ainda (como Igreja).

Mal de nós se fizéssemos as nossas opções importantes condicionados por factos externos e não pelo contrário, estimulados pelas nossas necessidades profundas...

A fé que eu vivo é uma necessidade profunda... a divergência apenas um pequeno percalço.

As incoerências não me afastam, mas antes aproximam-me mais da Igreja que eu amo, que eu quero compreender mais, para melhor a aceitar e viver.

Esta Igreja onde um dia fui baptizada, e que me deu a conhecer Jesus.

Esse Jesus que Continua a Representar O Ideal de Vida pelo qual todos devemos continuar a lutar, crentes e não crentes. É que, como diz o M. (um amigo, ateu assumido) «o que é certo é que não só a existência histórica dO Homem Jesus, como o Valor da Mensagem que Trouxe, não podem ser postos em causa».

Esse Jesus que Atravessou toda a História e hoje Continua Presente na sala de Catequese, patente nos bate-papos no Messenger, infiltrado nas paredes do meu quarto, sentado no lugar ao lado no autocarro, acessível nas conversas de café... e que, contudo, apesar de perenemente Presente, parece que continua a "saber a tão pouco".... :-)

Por causa desta saudável indispensabilidade, é que acompanhar crianças e adolescentes no seu caminho de fé, dentro das minhas limitações mas atendendo a esta necessidade iminente de O anunciar, é um serviço que sempre vivi com muito amor e dedicação. É algo que é essencial: transmitir aos outros a minha alegria de acreditar em Jesus. Não importou nunca a distância, as (eventuais) dificuldades financeiras ou outras, as provocações ou desafios exteriores...

Esta alegria verdadeira de fazer brotar em mim, o mais possível, a imagem de Deus, supera quaisquer contrariedades ou obstáculos. Este querer incessante de levar o outro a uma paixão por Jesus....

É injusto (é maldade!) guardar só para mim esta certeza que me acompanha: Deus Ama-me, Ama-te, Ama-nos...!

Encontro na missão de Catequista a vontade interior de me abrir a todos, e dar, sem peso nem medida, testemunho da intimidade divina que experimento.

É por aqui que eu vou! Com alegria e entusiasmo! Não um entusiasmo superficial, mas pensado de modo sério, comprometido e constante.

Um entusiasmo mais maduro e coerente (mais gratuito até!) do que o ardor de há uns anos atrás, que a minha fé (de) adolescente compreendia agora e descompreendia daqui a nada...

Hoje não!

Hoje distingo a "" da "carência psicológica de querer acreditar", por si só.

Hoje consigo 'listar' o que me condiciona, o que me bloqueia na minha experiência de fé, e identificar as suas luzes e sombras.

Hoje a minha vida cristã não se resume só a uma soma de gestos, a um arquivo de fórmulas doutrinalmente decoradas.

Hoje reconheço-me mais dependente dEle! E não me contento apenas com as 'interpretações favoráveis' que são feitas de Jesus... mas procuro escutar atenta e seriamente as exegeses diversas que surgem daqui e dali….

Hoje não só acolhi a Mensagem, como esta passou a fazer parte de mim.

Hoje é conscientemente que tomo como certa a certeza de que Deus Caminha comigo...

E com Um 'Companheiro' assim, não posso olhar para o chão! Levanto a cabeça e olho para horizontes longínquos! É para lá que sou chamada! É para lá que todos somos chamados! O apelo é universal!

Hoje, como Isaías, estou mais apta para dizer: "Eis-me aqui" (Is 6, 8).

Não me envergonho e não tenho medo dos meus sentimentos... e muito menos das minhas certezas!

Não temo as questões que levanto, as interrogações que me assolam. São fonte de um crescimento que já não é primário, mas contínuo... e normal... (não devo estar enganada)... O meu receio sim é não crescer!

E é baseada neste crescimento interior que a minha experiência com Deus se caracteriza por uma vivência cada vez mais sólida, mais confirmada.

A minha experiência de vida é garantia mais que suficiente de que Deus Está continuamente Presente, é a expressão mais que satisfatória do Seu cuidado para comigo...

Uma experiência que me convida diariamente a dar passos mais profundos.

Por falar em profundidade, alguém me disse um dia (foi o R.) que «somente em águas profundas saberemos como nos tornarmos mergulhadores»... É bem verdade!

Quem me conhece, sabe que me entrego de corpo, alma e coração àquilo em que acredito: seja no trabalho, nas relações pessoais, no meu viver espiritual... Sem protagonismos acentuados ou manifestações exageradas... procuro continuamente a perfeição, até nas coisas mais insignificantes.

E porque saber renunciar hoje, significa conquistar amanhã, desde o final do ano de catequese, recolhi-me ao silêncio, e tenho procurado ouvir a voz do interior.

O "problema" é sério e complexo, não há como o negar. Subsistem obstáculos mentais e de relacionamento a superar. Mas os ouvidos estão livres, os olhos desimpedidos e o coração aberto...

Sei que tenho que procurar reflectir não sobre a pessoa em si, mas acerca dos comportamentos da pessoa... É uma regra básica das relações interpessoais saudáveis: não posso / não devo responsabilizar o outro pelo que ele é... Pelo que ele faz, sim....

É uma reflexão que exige tempo, coerência, maturidade...

Sinto pois que é tempo de recarregar as baterias espirituais... de parar... talvez de fazer uma pausa no meu ministério como Catequista na paróquia onde sempre o desenvolvi.

Desta paragem, não farei um tempo improdutivo, mas antes uma fonte de reflexão, de busca de novas formas de encontro com Deus, de redescoberta dos alicerces da minha vocação como Católica, como Cristã, como Catequista, como Pessoa...

Não ponho de forma alguma um ponto final à experiência que me tem marcado e feito crescer ao longo de mais de uma década: Ser Catequese!

Não desanimo de que as coisas possam vir a ser diferentes... Nem posso! A minha consciência / o meu coração sentem um especial prazer em diariamente, na minha oração, saborear os tempos de graça vividos com mais intensidade enquanto Catequista: as reflexões, as brincadeiras, as surpresas, as emoções, os despertares, as partilhas, as inquietações, a aprendizagem, a camaradagem, a caminhada... A minha memória continuará a unir-me à paróquia....

Não posso ignorar o laço subtil, mas muito forte, que me mantém agarrada...

Quando houver um pouco mais de assertividade e coerência cristãs, talvez volte...

Sei que a resolução é minha... Desatar o laço, ou dar o nó...

Não, não tomo nenhuma decisão para já, o tempo é para pensar, não para decidir...

Quanto aos momentos de 'desassossego', jamais desistirei de fazer perguntas... ouso viver com elas... No centro de todas está a convicção profunda de que, com Oração, Amor e Prudência, surgirão as verdadeiras respostas. É em Deus que coloco a minha segurança. É a Ele que confio a minha missão, os abatimentos que a assolam, os júbilos que a revestem...

A certeza mantém-se: tudo o que eu sou é clara participação de Deus, na pessoa de Jesus Cristo... E isto é forte demais para guardar só para mim!

"Ide e ensinai" (Mt 28, 19-20). - Não posso, jamais, ser um sujeito passivo deste mandato...!

"A fé ... toma consciência do amor. O AMOR é luz que brilha sempre num mundo cinzento (no fundo: única luz) e nos dá a coragem de viver e de agir." (n.º 39) – Deus Caritas Est - Carta Encíclica do Papa Bento XVI sobre o Amor Cristão

Terça-feira, Junho 13, 2006

Peregrinação Nacional das Crianças a Fátima 2006

aqui aqui aqui aqui aqui aqui e aqui


Um dia repleto de cor, alegria, boa-disposição, emoção e sentir.

Nós estivemos lá...

Quarta-feira, Maio 31, 2006

Catequista ‘ta sempre a aprender

O I., do grupo do 1º ano, até nem é daquelas crianças mais atentas, nem das que participam activamente nas sessões (exceptuando uma 'participação' enraizada com os colegas do lado).

Ora, há uns tempos atrás, diz o I., quando terminámos a oração com a bênção "Em nome dO Pai, ...".

- Eu sei porque é que quando dizemos ‘dO Filho’ fazemos assim [(e, num gesto rápido, iniciou a bênção e terminou nO FilhO)].

Disse:

- Sim, I.? Então diz lá...

O I.:

- Porque O Filho Nasceu da barriga da Maria... e os outros [(Pai e Espírito Santo)] não... Por isso é ‘dO Filho’ se faz na barriga.


E esta, hein? Em todos estes anos de Catequista, nunca me dei “ao trabalho” de confrontar cada gesto da bênção final do Sinal da Cruz com o simbolismo que acarreta...

Já por várias vezes me tenho debruçado sobre o simbolismo global do gesto do Sinal da Cruz...
Já tenho analisado as palavras que são proferidas, o seu significado para além da lengalenga decorada...
Já tenho procurado investigar a razão de ser das 3 cruzes pequenas, o porquê de serem 3, o local onde são feitas e o motivo...

... Agora, tentar perceber porque é que nO Pai, o gesto é feito na cabeça, nO Espírito Santo, nos ombros e nO Filho no ventre... essa não...

Mas voltando à ‘explicação’ do I., obviamente que passamos o resto da sessão a explorar porque é que nO Pai era então feito na cabeça, e nO Espírito Santo nos ombros...

Ficam algumas das respostas, algumas delas potencialmente dignas de um globo de ouro :-))

(Pai - testa / cabeça)
- Porque é Pai, e os pais são maiores que os filhos...
- Porque os pais nascem antes dos filhos...
- Porque a cabeça é a parte do corpo que fica mais próxima do Céu...
- Porque Deus É O Pai do Céu e Jesus É O Filho dEle.
- Porque Deus É que Pensa em tudo e pensa-se com o cérebro. (?!)


(Espírito Santo - ombros _ depois de uma breve explicação sobre a vinda dO Espírito Santo... assim muito ao de leve... e a forma como Actua em nós)
- Porque é como o nosso pai, quando nos leva aos ombros é para nos ajudar, por exemplo...
- Porque são dois: Espírito e Santo (são duas palavras, logo o gesto não podia ser feito na cabeça - uma - nem no ventre - um -, mas sim nos ombros, que são 2 e assim já dá!)
- Porque O Pai e O Filho mandaram O Espírito Santo para todos (O Pai de cima para baixo, O Filho de baixo para cima, ficando assim repletas todas as direcções).
- Porque no meio dos ombros está o coração, e O Espírito Santo ajuda-nos a ter um coração melhor.


Bom, é caso para dizer que
Catequista ‘ta sempre a aprender... e tantas vezes onde, quando e de quem menos espera.

Domingo, Maio 28, 2006

Duas famílias?! UAU!!

O grupo do 1º ano ontem acolheu com entusiasmo o facto de afinal não termos 1 família (a lá de casa, pelo nascimento), mas 2 (a família de Deus, pelo Baptismo).

Reacção do A:
- Uau!!!

:-D

Segunda-feira, Maio 22, 2006

Não basta dar... é preciso querer receber...

Diálogo entre Catequistas:

c1: - Ah! Temos que ser ousados... Imaginar formas... Inventar caminhos de levar A Pessoa de Jesus....
c2: - Formas? Ó! Essa agora! ... Só há uma!
c1: - Qual?
c2 - Como no tempo do Pr. Fr. .... Quem não sabe as coisas, não vai à Primeira Comunhão nem Comunhão Solene!
c1 - Que coisas?
c2- Óh, as coisas que tem que se saber...
c1 - Que coisas?
c2 - Essas modernices não levam a lado nenhum...
c1 - Que lado?
c2 - ...
c1 - Que modernices?
c2 - Pronto, lá estais vós a querer ensinar as mais velhas...

Este diálogo contou-mo a N.... Viveu-o há uns dias atrás...

Imediatamente associei este 'conflito de gerações' em catequisar, a uma experiência que tive com um grupo do 2º ano, quando, muito calmamente, lhes dizia que Jesus também Sentia frio, fome, cansaço...

Só visto! Olhos esbugalhados olhavam para mim..

Como era possível que aquEle Jesus que Tem todo o Poder, que É O Maior, que Está tão acima de nós... também Tivesse frio, fome... e Se cansasse?

De facto, não é fácil, mesmo com 7 anos, imaginar Um Jesus que ainda pouco tempo antes era Todo-Poderoso, que Ralhava quando trovejava, que não Gostava dos meninos que fizessem asneiras... bom, não é nada fácil conceber que Alguém Seja assim até Junho e em Outubro Seja Amigo, Bom, que Goste de brincar, que até Era capaz de Gostar de guloseimas...

[A natureza humana de Jesus tão fortemente 'esquecida' e distante da Sua natureza divina, quando, afinal, ambas se complementam... ]

Recordo de depois de uma desmistificação dessa ‘imagem de Junho’, as perguntas não paravam de correr...

Afinal, Jesus não Era as fórmulas que tinham sido decoradas... embora seja importante as sabermos e compreendermos...

Jesus Era Algo mais...

E principiou o desejo... anseio... a vontade de O conhecer, de querer saber afinal como Ele Era, como Ele É.... o que Fez... o que Sentiu (sim, porque Ele foi / É um de nós).

Compreendo a C2 do diálogo acima... Por vezes, há uma certa ‘resistência à mudança’, ainda que involuntária... Há um temor excessivamente zeloso pelas ‘coisas do Alto’, um apego descomedido a Um Deus distante, que, afinal, Se Quis fazer tão próximo (Jo 14,9).. Há ainda uma certa dificuldade em pronunciar sincera e continuamente palavras certas como ‘Amor’ (Jo 13,34)e ‘Doação’ (Mt 28,20). ... Mas até que não deixa de ter razão de ser, em parte, dada a facilidade com que assistimos à banalização de temáticas tão sérias quanto relevantes...

Por outro lado, como compreendo a C1... esta ‘ousadia’ que mencionava à colega Catequista... este aprofundamento doutrinal que tem como suporte o desejo da descoberta... esta experiência de viver a fé num espírito de disponibilidade e entrega... esta prática contínua de sentir na pele a alegria de ser uma comunidade que se distingue pelo amor entre si, (cfr Actos dos Apóstolos)....

Em suma, o que é certo é que há toda uma assertividade a ser assimilada e cumprida...

Há-que conjugar essa assertividade com o realismo da vida dos catequizandos de hoje (que, com certeza, difere da realidade de vida dos catequizandos do tempo do Pr. Fr. !)....

Sim, porque hoje (e talvez já no tempo dos nossos pais, embora a vivência histórico-político-económica o condicionasse de forma diferente)... mas como dizia, hoje ‘ninguém’, nem mesmos os mais pequenos, ‘vão na cantiga’ e na ‘lengalenga decorada’... Hoje a sociedade propociona-nos uma ânsia de justificações deveras colossal... Hoje os papeis invertem-se e a conquista começa pelo conquistado... É este que exige...

Por tudo isto, é que talvez não seja suficiente ‘Dar Catequese’, e nem mesmo ‘Fazer Catequese’, mas levar o outro a ‘Querer receber Catequese’...

Por tudo isto, é que talvez mais do que ‘Dar a conhecer Jesus’, ou ‘Levar Jesus’, é pertinente ‘Provocar o querer Jesus’.

Aliás, ‘Dar’ começa a tornar-se algo banal... No Natal, o Pai-Natal as prendas... Na próxima semana, a mãe vai dar uns ténis novos... A professora a aula... O Totoloto milhões... Dar, dar, dar... Todos dão... E quase se perde o hábito de pedir... Bom, por isso é que há que ser diferente... Não dar assim, como quem oferece mais um jogo ou um passatempo! Mas antes levar a que peçam... Incitar uma carência! Provocar uma necessidade!

E como já tive oportunidade de exprimir num post anterior, a escolha de hoje é precisamente a mesma de há 2000 anos atrás...

Recordemos que há 2000 anos atrás, não foi com técnicas de persuasão ou argumentação que Jesus Se impôs...

Recordemos que há 2000 anos atrás não foi empanturrando palavras feitas e expressões modeladas que Jesus Se revelou...

Recordemos apenas que há 2000 anos atrás Ele Foi diferente... Cativou... Seduziu... Conquistou... Provocou... Inquietou... Suscitou o desejo de O ouvir... de O seguir... Arrisco dizer que Foi até Diferente no modo de amar...

Isto sim, diferencia! Isto sim, é convite!

Por tudo isto é que por vezes o desafio do Catequista (do Cristão!) é pois bem maior do que imaginamos... e do que tantas vezes estamos preparados... mas também por tudo isto é que confiamos que não estamos sós, e que O Espírito Santo Actua em cada um de nós...

Sexta-feira, Maio 19, 2006

Pergunta quase ‘banal’... daquelas chapa5... daquelas que saem sempre nos testes... um clássico...

Uma das questões do trabalho final do Curso de Iniciação para Catequistas, que frequentei em 1997, era: "Quem É Jesus Cristo?"

Uma pergunta quase ‘banal’... daquelas chapa5... daquelas que saem sempre nos testes... um clássico, diria mesmo.

Na altura, encerrei, em páginas e páginas de resposta, todas as potenciais soluções ‘standard’ que havia assimilado do meu tempo de Catequizanda para esta questão...

Adicionei um pouco do meu ‘eu’, da minha vivência nEle...

Salpiquei abundantemente com dezenas de adjectivos e substantivos pensáveis e impensáveis....

E... a resposta nunca ficava completa... Vi-me na contingência de fazer a entrega do trabalho tardiamente, tudo porque não conseguia dar um ponto final a esta questão.

As palavras, conceitos e expressões que escrevia não eram suficientes. Aquela resposta não era Ele.

Que Jesus É O Nazareno, que Transformou o mundo, que jamais houve e jamais haverá alguém como Ele… sim, não deixa de ser verdade…

Que Jesus É a personalidade mais notável de todos os tempos, O maior Líder, O Profeta dos profetas, É Amor, É Amigo, É Irmão… sim, claro…

Que Jesus É O Primogénito, O Messias, ok… sabia disso… mas entoava a tão pouco...



Hoje, a resposta ainda não está completa, mas é mais madura e comprometedora.

Hoje sei que não basta saber quem É Jesus. Sei que preciso de O descobrir em cada milímetro de chão que piso, em cada milésimo de segundo que existo...

A regra é esta: primeiro descobri-lO, conhecê-lO . Nunca ousar avançar com uma definição como se de um conceito gramatical Se tratasse.

Hoje sei que não me restam somente as palavras para O descrever... Aliás, descobri que as palavras apenas O poderão desenhar, pintar... nunca O revelar!

Hoje sei que quando faço minha a resposta de Pedro, «Tu És o Messias, o Filho de Deus vivo.» (Mt16,16), o digo com firmeza em cada palavra, em cada letra que pronuncio, em cada pausa que respiro...

Hoje, sei que Jesus, Ele próprio, Se apresenta numa variedade de símbolos...

Mc 14, 62 - Eu Sou [O Messias]. E vereis O Filho do Homem sentado à direita do Poder e vir sobre as nuvens do céu.
Jo 6, 48 - Eu Sou O Pão da Vida.
Jo 8, 12 - Eu Sou A Luz do mundo.
Jo 8, 23 - Eu Sou lá de cima! (...) Eu não Sou deste mundo.
Jo 8, 28 - Eu Sou O que Sou e que nada faço por Mim mesmo
Jo 8, 58 - Antes de Abraão existir, Eu Sou
Jo 10, 7 - Eu Sou A Porta das ovelhas.
Jo 10, 9 - Eu Sou A Porta
Jo 10, 11 - Eu Sou O Bom Pastor.
Jo 11, 25 - Eu Sou A Ressurreição e A Vida
Jo 14,6 - Eu Sou O Caminho, A Verdade e A Vida
Jo 15, 5 - Eu Sou A Videira; vós, os ramos
Act 9, 4 - Eu Sou Jesus, a Quem tu persegues.

Hoje compus em mim uma humildade que me leva a reconhecer que sou tão, tão pequena para O definir... A resposta não é ‘Não sei’... por que eu até sei! A resposta é ‘-Tudo!’, ‘- Meu tudo’!

Hoje sei que a resposta não se esvazia em palavras bonitas e agradáveis ao ouvido... porque nunca se esgotam... cada novo dia traz-me um novo Jesus que no dia anterior eu desconhecia... cada momento da vida oferece-me mais uma oportunidade de O conhecer mais e melhor... mas nunca totalmente... e ainda bem!

Hoje sei que mais importante que ter sempre a resposta pronta, é ter a pergunta certa .. mais importante que responder bem, é querer saber mais...

Hoje sei que não devo dizer: 'Tu És...', mas 'Tu Estás...'.

Bem, posto isto, sei q ninguém perguntou ;-), mas então e eu?? Quem sou eu? O ramo unido à videira? Sal da Terra? Luz do mundo? Discípula?

Bom, gosto de particularmente personificar o tal vaso de barro nas mãos do oleiro... isto basta-me... O Oleiro cuida de mim, molda-me, dá-me a forma que Ele entende... nada temo... e não quebrarei!

Por fim, mesmo constituindo a pergunta quase ‘banal’... daquelas chapa5... daquelas que saem sempre nos testes... um clássico, ... ora conta lá, Catequista, quem É Jesus para ti, afinal?

E tu... quem és tu, para Jesus?

Quarta-feira, Maio 17, 2006

"Eu Sou A Videira, vós sóis os ramos" Jo15,5 _ Tb p/ as Mães

Ah!, já esquecia!

Neste mês de Maio, dedicado às mães, e à Mãe das mães, Maria, a parábola da videira recorda-nos o amor da verdadeira Mãe.

Da verdadeira Mãe que não quer nada para si, mas que se dá pelos seus filhos.

Da verdadeira Mãe que procura que as suas raízes alcancem os melhores nutrientes, para que os ramos fortifiquem e dêem bons frutos.

A DG é uma visita assídua no blog… e é uma Mãe assim…

"Eu Sou A Videira, vós sóis os ramos" Jo15,5

4 - "Eu Sou A Videira, vós sóis os ramos" Jo15,5

III. Conclusão / Objectivo


A alegoria da videira, relatada no Evangelho do Amor, parece-me uma relação mais profunda até do que aquela que existe entre o pastor e o seu rebanho, sobre a qual o Evangelho se debruçava no domingo anterior.

Para além de toda a beleza da narrativa de Jesus, para além da perfeita comparação que faz de nós, Ele Termina com chave de ouro: Permanecei em Mim!

Aqui é representada a mais íntima ligação possível. Bem como a mais provocante inquietação: qual será o resultado nas nossas vidas se permanecermos em Cristo?

Quando lemos a comparação que Jesus fez da videira e dos ramos, percebemos logo que a palavra mais forte é esta: "permanecer" unidos ao tronco, "resistir", "agüentar", "firmes".

Permanecer em Cristo, portanto, significa permanecer no Seu Amor, na Sua Lei; significa, talvez, permanecer na Cruz, às vezes, permanecer com Ele na provação. Significa permitir-Lhe que nos ame, que nos faça passar a Sua “seiva”.

Permanecer ligados à videira e permanecer em Cristo Jesus significa, acima de tudo, não ser filho pródigo, nem nos desgarrando de Cristo de uma só vez, num só impulso, nem aos pouquinhos que seja, quase sem se dar conta, dia-a-dia…

Permanecer em Cristo Jesus significa também algo de positivo, isto é, permanecer no Seu Amor. No Amor que Ele Tem por nós, e no Amor que nós temos por Ele.

Muito mais haveria concerteza para explorar nesta narrativa tão bela de Jesus… Ficam por abordar alguns pormenores como: Qual é a diferença entre um pequeno rebento que começou agora mesmo a viver na videira e um ramo grande e adulto? Porque é que o nosso “ficar” não tem sempre garantia de frutos?

Ficam lançadas mais algumas linhas de reflexão… Por agora, não me alongarei mais…

Ouvir e passar adiante as Suas palavras. Este foi o método de Jesus. Por mais simples que pareça, conquistou o mundo e tem transformado corações através dos séculos.

Concretamente, este ensino tão simples da alegoria da videira transporta uma profundidade de tal forma extraordinária, que mais uma vez aprendemos que à luz da prática de Jesus, a Catequese pode ter um novo sabor.


É esta a Catequese que eu quero fazer!
Ups!... Corrijo: é esta a Catequese que eu quero Ser!

3 - "Eu Sou A Videira, vós sóis os ramos" Jo15,5

II. Identificação e Caracterização das personagens – A Videira, os Ramos e O Agricultor

A) PERSONAGEM 1
A1 – Identificação: Jesus
A2 – Personagem: A Videira
A3 – Tarefa: Ser Vida

Fiz uma pesquisa de fotos de videiras na net.

De facto, a imagem da videira é deveras forte. O tronco da videira é algo imponente, mas ao mesmo tempo tão dado, ao se prolongar em ramos em todas as direcções. É Este O Jesus que eu vejo… uma dádiva constante pelos Seus, ou, melhor, nos Seus.

Da videira é que vem a seiva que alimenta estes ramos, a humidade do solo e tudo aquilo que eles transformam depois em uvas, sob os raios do sol.

Se não é alimentado pela videira, o ramo não produz… nem um pequeno rebento, nem um cacho de uvas, nada de nada.

Ainda que o ramo esteja fora da videira, até aparentemente só por algum tempo, ele pode permanecer momentaneamente com a sua cor original, tendo brilho, parecendo ter vida, mas acaba por perder a sua viscosidade, seca e morre.

Assim somos nós, quando largarmos Jesus ainda que por breves momentos (‘breves’ no nosso entender!). Pode ser por instantes, mas a verdade é que com o passar do tempo acabamos por morrer espiritualmente, por não termos alegria, nem esperança.

Deixemo-nos pois provar por este Jesus que nos sustenta … é dEle que somos dependentes, é a partir da Videira que daremos frutos.

Quando ligados à videira, receberemos alimento, vida, e segurança, mas se estivermos desprendidos dela....morreremos.

Um outro aspecto interessante nesta identificação de Jesus como a videira, é o próprio sumo do fruto da videira. O Vinho simboliza o Sangue de Jesus e está presente em cada Eucaristia hoje como esteve na Santa Ceia (“Eu vos digo: Não beberei mais deste produto da videira, até ao dia em que beber o vinho novo convosco no Reino de Meu Pai” - Mt 26, 29)

Para finalizar:... É Jesus O Centro... é dEle que nós, ramos, nos alimentamos... É Ele O nosso Alicerce... E não o inverso! Quantas vezes parece que nós é que carregamos com estas coisas da Igreja, que nós é q estamos quase a fazer um favor a Cristo em O deixar fazer parte da nossa vida... Safa! Por vezes parece que nos esquecemos que nós não somos O Tronco! - " (…) sem mim nada podeis fazer" (Jo 15, 5b).



B) PERSONAGEM 2

B1 – Identificação: Eu, tu, nós todos
B2 – Personagem: Os ramos
B3 – Tarefa: Dar fruto

Cristo É a Videira, nós os ramos! Dependemos da Videira.

Mas qual é então nosso papel como ramos?

Antes de mais, transmite-me uma firmeza deveras segura saber que, por mais fragilidade que exista em mim como ramo, sou um prolongamento da Videira Verdadeira, forte, que tudo Faz para me nutrir e me fazer frutificar.

Por outro lado, há associada uma responsabilidade: esta ligação não basta! Há-que também do meu lado permanecer um ramo forte e sadio, alimentado e unido, ligado não parcial, mas totalmente em Jesus. Deparamo-nos com um apelo claro à unidade, quer individual (‘Eu ramo’ + ‘Jesus Videira’), quer colectiva (‘Eu ramo’ + ‘Jesus Videira’ + ‘O Outro ramo’).

A nossa união com Jesus é sinal de vida. Não existe vida estando separado do Tronco. O ramo que se separa da Cepa, seca e morre sem produzir frutos. Como qualquer lenha inútil, é então lançado ao fogo.

Em compensação, os ramos que se mantêm unidos ao Tronco recebem a seiva da vida que os torna fortes, vigorosos e férteis. Produzem muitos frutos e de excelente qualidade.

Um outro ponto a que o ‘Eu ramo’ não pode ficar alheio é ao convite: “- Dá fruto! Gera bons frutos! “.

... Dar fruto... O grande desafio é este: não nos podemos conformar com uma paz aparente, só de "sombra e água fresca", onde a falta de coragem abunda decididamente… Não! Somos conhecidos pelos frutos que damos! E cada um de nós - a responsabilidade é individual! Por vezes temos tendência a delegar a função de “fazer discípulos”, de “pregar o bem”, de “dar fruto”, somente aos que, duma foma generosa e mais aberta, consagraram a sua vida a Deus. Mas não foi isso que Jesus disse!

TODOS os ramos desta Videira devem produzir os mesmos frutos, os bons frutos. O prolongamento desta Videira Verdadeira não pode produzir maus frutos… Bom, se assim for, algo está errado! Estes ramos têm que ser cortados e lançados ao fogo, pois os ramos da videira Jesus não podem, de forma alguma, produzir frutos ruins… nem tão-pouco ser estéreis. Os ramos que produzem o fruto ruim vêm de outra videira, concerteza, pelo que os seus ramos terão que ser podados na Videira Verdadeira para que daí produzam bons frutos.

Resumindo, cada ‘ramo’ cresce em dois aspectos: na comunhão permanente com Jesus e com os irmãos, e na frutificação .

E então para os Catequistas, tem muito que se lhe diga esta comparação….É quase um verdadeiro teste de fogo… O pequeno mundo que nos rodeia, a comunidade paroquial onde nos inserimos observa-nos e espera ver a presença de Deus em nós! Ele quer pensar com a nossa mente, expressar se através das nossas emoções, falar através da nossa voz, ainda que muitas das vezes não estejamos conscientes disso… Frutifiquemos, pois!



C) PERSONAGEM 3
C1 – Identificação: Deus
C2 – Personagem: O Agricultor
C3 – Tarefa: Podar (do grego ‘purificar’)

Antes de mais, que fique claro que não sou minimamente entendida nestas questões da agricultura, pelo que procurarei abster-me de usar certos termos técnicos (?) que talvez até enriquecessem a narrativa, mas que por certo depreciariam o seu conteúdo.
Não que não tenha crescido numa aldeia onde a actividade agrária ainda é de certa forma significativa…

... Mas, bom, assim muito, muito francamente, o que é certo é que me intimida esta parte da ‘poda’...

Mas, afinal, porque há necessidade de limpar? Compreende-se que a ideia aqui é melhorar a qualidade (e quantidade) dos frutos.

Contudo, por outro lado, a poda por si só é algo que magoa, que fere, é um corte que deixa as suas cicatrizes.

Estou certa de que se os ramos pudessem falar, certamente também não entenderiam o porquê da poda no momento em que são podados. Passa-se o mesmo connosco: quantas vezes não entendemos a dor no momento da dor, quantas vezes nos revoltamos perante ‘azares’ da vida, como conflitos, injustiças, crises, ou a morte de alguém querido.
Só mais tarde, às vezes muito mais tarde, entendemos a importância da poda. Os ramos podados, ao verem-se floridos, ao presenciarem os seus próprios frutos, certamente agradeceriam ao Agricultor pelos sofrimentos daquele dia.

Assim é o nosso dia-a-dia. Não compreendemos e não aceitamos os obstáculos e as lutas. Mas são as dificuldades que (também) nos fazem crescer, são as podas que nos tornam férteis, maduros e que nos purificam… um dia veremos os frutos.

Mais ainda: toda a dor é suavizada pelo amor. O amor mantém o ramo unido ao Tronco, o amor é produto de quem se deixa alimentar pela Seiva da Vida que É O próprio Jesus.
Todavia, há ainda outra questão que se levanta: numa página sobre técnicas viticulas, era dito que ao podar a planta, o agricultor não deve cortar somente os galhos secos, mas cortar galhos sadios, vistosos e verdinhos. Porquê? Por certo tratam-se de ramos que têm tudo para produzir muitos frutos, mas que (ainda) não estão dispostos a fazê-lo. Eu conheço alguns! E rezo por eles!

Posto isto, ficam sem fundamento os meus receios iniciais no que respeita à poda. Podando-se o desfolhado ramo no próspero tronco da videira, ele tornar-se-á uma vara viva, alimentando-se da seiva da videira, até que brota e dá fruto.

Adicionalmente, uma união tão profunda do ‘Eu ramo’ com o ‘Cristo Videira’ pressupõe necessariamente purificação… não poderia ser doutra forma…

Para terminar: por curiosidade, entrei num site relacionado com viticultura, e encontrei a seguinte frase: “O podador deverá ter sempre um papel activo, porque a poda requer sabedoria

2 - "Eu Sou A Videira, vós sóis os ramos" Jo15,5

I. Introdução / Enquadramento


De uma forma geral, esta alegoria da videira é um exemplo facilmente entendível quando devidamente inserido no contexto histórico e geográfico apropriado. Jesus falava para o povo, em elevado número agricultores, pessoas que conheciam as lides do campo, do cultivo da terra e da vinha.

Aliás, a comparação da videira, dos ramos e dos frutos é quase um ‘clássico’ na Bíblia. A videira e a vinha são símbolos significativos no percurso da História da Salvação do Povo de Israel. A imagem bíblica da videira designava o próprio povo escolhido e tantas vezes infiel.

Vejamos:
Gn 9, 20 – Noé, que era agricultor, foi o primeiro a plantar a vinha.
Gn 40, 9 – As interpretações dos sonhos por José do Egipto.
1 Rs 21, 1 – A vinha de Nabot de Jezrael junto ao palácio de Acab, rei da Samaria.
Sl 80, 9-17 – Salmo de súplica, canta que o Povo de Deus é como uma videira que O Senhor Deus arrancou do Egipto e transplantou na terra prometida.
Is 5, 1-7 – O profeta Isaías fala do amigo que plantou uma vinha e esperava que ela desse frutos bons, mas só produziu uvas azedas. Irael é, assim, uma vinha estéril. (De salientar que este cântico da vinha era familiar aos israelitas, pelo que ajudava os ouvintes a compreender melhor a alegoria de Jesus).
Ct 8, 11 – A vinha de Salomão.
Jr 2, 21 – Israel, ‘plantada como vinha escolhida e de boa qualidade’, como Esposa Infiel.
Sl 128, 3 – A videira como símbolo de fecundidade, de vida em abundância
Os 10, 1 – Imagem da vinha aplicada novamente a Israel.
Ez 15,1-8.2 – Ezequiel não aborda a fertilidade da videira, mas apenas a sua cepa, pois Israel não produziu frutos
Nm 13,20-26 – A Terra Prometida é novamente comparada a uma vinha
Am 9,13-15 – A restauração de Israel é uma nova plantação da vinha
Lv 23,34-36 / 2 Mac 10,7-8 – A festa das Tendas era a festa das vindimas
Jr 8,13-17 – A festa acabará, porque a vinha não dá fruto

Em praticamente todo o AT, a vinha / videira, enquanto Povo de Deus, é sempre vista em termos de degeneração. O motivo? Basicamente porque Israel falhou como nação para trazer a salvação.

Por isso, no NT, esta simbologia é actualizada e traz um novo sentido.
Deus escolhe uma nova vinha, um outro povo. A nova Videira É Jesus, que, juntamente com os Seus dicúpulos, formam um Povo de Deus renovado. Produz frutos quem estiver unido a Jesus, isto é, quem ama como Ele Amou. Se Jesus É O Tronco e nós os ramos, é sinal de que o projecto de salvação de Deus para o Homem ainda é possível… desde que com a colaboração de cada um de nós...

1 - "Eu Sou A Videira, vós sóis os ramos" Jo15,5

No Domingo passado, V do Tempo Pascal, fomos presenteados com esta alegoria da videira.

Dizia-me o P., um dia destes, que " – Jesus É O maior comunicador de todos os tempos". E tem muita razão, o P.!

De facto, Jesus Usou de uma criatividade vastíssima para atrair as multidões, Ensinando por meio de parábolas, pequenas histórias, muito simples, mas profundas, as quais retratavam a realidade das pessoas. Jesus colocava os Seus ouvintes numa atitude de confronto com a vida, provocando questões e desassossego, convidando desta forma à conversão e mudança de vida.

[(Uma achega: é inspirando-nos no exemplo de Jesus que nós Catequistas invocamos / provocamos a Experiência Humana nas nossas sessões de Catequese?)]

As histórias, as alegorias, as comparações tornam qualquer conversa mais afectiva, agradável e atractiva. Jesus sabia-o muito bem!

Bom, e então, este desafio de Jesus que vemos na alegoria da videira é deveras cativante... e ao qual acredito que ninguém fique indiferente...

A Humanidade de Jesus toca a nossa Humanidade e a nossa Humanidade toca a Sua Divindade... O fraco e O Forte em união… O finito do Homem ligado ao Infinito de Deus… Não há como resistir a isto!

Mas o recado desta comparação não se fica por aqui... Há nela toda uma abundância de dicas, de mensagens, de estímulos... bom, que a minha agitação crescente por Ele não me permite guardar só para mim.


Partilho então estas reflexões, dividindo-as em três partes:

I. Introdução / Enquadramento
II. Identificação e Caracterização das personagens – A Videira, os Ramos e O Agricultor
III. Conclusão / Objectivo

Sexta-feira, Abril 14, 2006

Votos de uma Santa Páscoa, na alegria de Jesus Ressuscitado!

marta

Sexta-feira, Março 24, 2006

Histórias de fósforos, pensos rápidos e 2 poços

Olhei para o lado – e lá estava ela, menina, 11, 12 anos, não mais...

Não era a primeira vez q via o seu rosto redondo, corado, mas ela desta vez sorria para mim... Sorri para ela...

Perguntou-me se queria comprar pensos rápidos...

`É só 1 Euro`...

Dei-lhe a moeda e adicionei a barra de chocolate Kinder que havia comprado nem faziam cinco minutos...

Aparente e momentaneamente, ficou feliz.

Começou a chover e ela desapareceu... melhor assim... não queria que ela percebesse que os meus olhos tinham ficado repentinamente húmidos (seria da chuva?!).

Ontem, a noite estava fria, mesmo fria...

Aconchegada no meu pijama de flanela (aquele aos quadradinhos), vi-me (involuntaria e novamente) rodeada por aquele sorriso...

Onde estaria aquela menina a dormir?

Teria cobertores?

Os seus pais, onde estariam?

Será que eles a haviam abandonado?

É possível que os pais abandonem os filhos?

Sim, é possível!

João e Maria, abandonados sozinhos na floresta. Os pais deixaram-nos lá para serem devorados pelas feras. Diz a história q fizeram isso porque já não tinham mais comida para eles mesmos.

Será que haviam pensos rápidos na cesta que o Capuchinho Vermelho levava para a avó?
Será que a mãe do Capuchinho queria que ela fosse devorada pelo lobo?
Bom, essa é a única explicação para o facto de uma mãe mandar uma menina sozinha atravessar uma floresta onde era certo estar o lobo à espera.

Num dos contos de Andersen, uma menina vendia fósforos de noite na rua (se fosse aqui estaria num semáforo ou na praça de alimentação de algum centro comercial), enquanto a neve caía. Mas ninguém comprava. Ninguém precisava de fósforos.
Porque é que uma menina estaria a vender fósforos numa noite fria? Não deveria estar em casa, com os pais?
Talvez não tivesse pais.

Fico a pensar nas razões que teriam levado Andersen a escolher caixas de fósforos como a coisa que a menina estava a vender, sem que ninguém comprasse. Acho que é porque a caixa de fósforos simboliza calor. Dentro de uma caixa de fósforos estão, sob a forma de sonhos, 1 fogão aceso, 1 panela de sopa, 1 quarto aquecido...
Ao pedir que lhe comprassem fósforos numa noite fria, a menina pedia que lhe dessem 1 lar aquecido. Diz a história que de manhã a menina estava morta na neve, com a caixa de fósforos na mão.
Fria. Não encontrou um lar.

Um lar por exemplo como o da C., do grupo do 6º ano. A mãe da C. ainda ontem me ligou, preocupada porque a C. tem faltado à Catequese e às Aulas... ora partiu um braço, ora andou de canadianas mais de uma semana, ora acabou por apanhar uns vírus estranhos que a impedem de se levantar da cama... E o pai e a mãe da C. têm feito de tudo para que a C. recupere o mais rápido possível...

A mesma sorte não teve a Gata Borralheira, aquela da história, que depois acaba por ser princesa. O seu lar estava longe da madrasta e das irmãs: como uma gata, o borralho do fogão era o único lugar onde encontrava calor.

Mas como já disse, calor era coisa que ontem não estava...

`Dá-me uma moeda...`

O menino (sim, estava sujo, quase descalço e muito ranhoso, mas era um menino!) estava do lado de fora. O rosto encostado na porta, o braço esticado para dentro do espaço proibido pelo olhar permanente do segurança.

Tirei uma moeda da carteira e dirigi-me à máquina de bolos. Seleccionei um pacote de bolachas baunilha e dei-o.

Mas esse gesto não me tranquilizou. Quis saber um pouco mais sobre o menino.

Encostei-me também ao vidro da porta e perguntei: `Queres ajuda para abrir o pacote?`

Num ápice os seus dentes haviam respondido à minha pergunta...

Não, não precisava de ajuda...

`Como te chamas?`... `Samuel...`... `Tens um nome bem bonito, sabes?`...

Levantei a mão e afaguei-lhe os cabelos abundantemente sujos... O seu rosto corou...

Comeu a primeira bolacha... Perguntei-lhe porque não comia as outras... se não gostava.... disse-me q eram para a irmã... que andava a vender pensos rápidos...

Pensei na história da menina q vendia fósforos... há diferença entre vender fósforos e vender pensos?

Ainda ñ sei a resposta...

Só sei q por vezes achamos ter chegado ao fundo do poço (esse onde o lobo foi beber cheio de sede depois de ter comido o Capuchinho Vermelho e a avozinha, lembram-se?)...

Ou então, o poço de Samaria, onde Jesus Travou aquele diálogo maravilhoso com a mulher Samaritana, revelando-Se pela primeira vez como O Messias... (Jo 4)

A preferência do poço é nossa...

OU tudo parece ter chegado ao fim, tudo parece não ter mais sentido.... Um fundo onde reina a tristeza, a falta de força, a falta de esperança...
Bolas!...
A esperança daquelas crianças residia nuns simples pensos rápidos...

OU nos ‘sentamos’ calmamente com Jesus, na borda da Fonte, da Fonte de Água Viva... ao meio-dia (Jo 4,6b).... (Um aparte: ninguém vai buscar água ao meio-dia, no auge do calor... Um encontro intencional?!)
E deixamos que Ele nos diga que Tem Sede... (Jo 4,7b)
E deixamo-nos contagiar pelo Seu ‘atrevimento’ ... (Conversa com uma ‘Mulher’, e ainda por cima ‘Samaritana’?)...
E acabamos por ‘deslizar’ :-) e confiamos-Lhe o nosso comodismo (‘Dá-me dessa água, para eu não ter mais que a tirar do poço’ - Jo 4,15)...
E, depois de experimentado o prazer de saciar a sede directamente dEle, aí, sim, peguemos na nossa bilha de barro, e partamos apressadamente ao encontro dos outros, exteriorizando a alegria e o entusiasmo de O Conhecemos! (Jo 4,28-29)...

... É Quaresma... Mas não deixa de ser o momento oportuno de fazer Ressurreição...

-> Abrindo a n/ caixa de fósforos? ;-)

Quinta-feira, Março 23, 2006

A minha lista de 'NUNCA MAIS'

... Uma sugestão para meditação Quaresmal...



- Nunca mais direi “não posso”, pois “tudo posso naquEle que me fortalece” (Fil 4:13).

- Nunca mais direi que “não tenho”, pois “O Meu Deus, segundo a Sua riqueza em glória, há-de suprir em Cristo Jesus, cada uma das minhas necessidades” (Fil 4:19).

- Nunca mais direi que “tenho medo”, porque "Deus não nos tem dado um espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (II Tim 1:17).

- Nunca mais direi que “tenho dúvidas ou falta de fé”, porque eu tenho “a medida da fé que Deus repartiu a cada um “ (Rom 12:3).

- Nunca mais direi que "sou fraco", porque “O Senhor É a fortaleza da minha vida” (Sal 27:1).

- Nunca mais "temerei a Satanás", porque “maior É aquEle que Está em mim do que aquele que está no mundo” (I João 4:4).

- Nunca mais direi que "estou derrotado", porque Deus “em Cristo sempre me conduz em triunfo” (II Cor 2:14).

- Nunca mais direi que “não tenho sabedoria”, pois “Cristo Jesus ... tornou-Se da parte de Deus sabedoria” (I Cor 1:30).

- Nunca mais direi que "estou doente", pois “pelas Suas pisaduras fui sarado” (Is 53:5) e Jesus “mesmo tomou as minhas enfermidades e carregou com as minhas doenças” (Mat 8:17).

- Nunca mais direi que “estou preocupado e frustado", pois estou “lançando sobre Ele toda a minha ansiedade porque Ele tem cuidado de mim” (I Pe 5:7).

- Nunca mais direi que “estou preso” pois, “onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade” (II Co 3:17).

- Nunca mais direi que “estou condenado”, pois “já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rom 8:1).

(Autor Desconhecido)

Segunda-feira, Março 20, 2006

FLASHES do fds _ 5 - A dificuldade

Festa da Palavra: 12 de Março de 2006
Pároco: por motivos de agenda, ausente
Celebração: Pr. F.

Festa do Pai-Nosso: 23 de Abril de 2006 (?)
Caso a data se mantenha: pároco, por motivos de compromissos pastorais, ausente
Caso a data seja alterada: marta, por motivos de trabalho, ausente

Resumindo: caso a data se mantenha, já está bloqueada no meu calendário laboral desde o início do Ano Catequético... Por outro lado, caso se prossiga com a celebração neste dia, o pároco (diga-se, sem qualquer culpa, uma vez que esta coincidência recente de marcações não é da sua responsabilidade) vê-se privado de estar presente em mais uma celebração Catequética... Aliada a esta problemática-base, está a re-marcação em si: o primeiro fds de cada mês na paróquia é do CNE, o segundo da Catequese, o terceiro do Grupo Coral... Além do pároco ter ainda a seu cargo outra paróquia e respectivos compromissos...

Da minha parte, já manifestei total disponibilidade para colaborar na preparação da celebração, mesmo com alteração de data e com a minha ausência...

Dissipada (com total honestidade e seriedade) qualquer harmonia de datas para os próximos meses, o que é certo é que estamos sem data para a Celebração... e perante uma questão de incompatibilidade de agendas...

É pena...

FLASHES do fds _ 4 - A dúvida

... da minha oração pessoal de sábado à noite:

"Deixa que os mortos que enterrem os seus mortos"
(Mt 8,22b)

FLASHES do fds _ 3 - O assunto

Sábado, 18 de Março de 2006

Grupo do 6º ano

(na sessão falou-se de “Amar é Dar-se” ... “Sacramentos”... Palavra puxa palavra, e de Amor e Sacramentos chegou a prosa ao Matrimónio, que é aquele que ultimamente tem suscitado maior interesse):

Por um lado:

R.: Catequista: não faz pouco sentido os Padres não serem casados e poderem casar?

Por outro (depois de uma breve explicação de que os ministros do Matrimónio são os próprios noivos):

C.: Faz sentido os padres não serem casados... Assim podem-se dedicar mais e melhor às Igreja e às pessoas...

FLASHES do fds _ 2 - A piada

Sábado, 18 de Março de 2006

Grupo do 1º ano

marta (falando de Quaresma, ao de leve, falando muito devagar, e contando pelos dedos): Na sexta-feira, Jesus Morreu... Passou-se Sexta... Sábado... e no Domingo... (suspense!)

D. (interrompendo o silêncio, abrindo os braços, e fazendo uma expressão quase do tipo "Daaaahhh"): No Domingo, Foi à Missa!

FLASHES do fds_ 1 - A boa acção

Sábado, 18 de Março de 2006

Grupo do 1º ano

marta (+/- isto): Nós distinguimo-nos como amigos de Jesus porque fazemos o bem. Os amigos de Jesus são bons...

R.: Sabes que lá na escola um menino empurrou-me. Fui contar à empregada e ela disse para eu o empurrar também, mas eu disse-lhe que não o fazia, porque na Catequese aprendemos que não devemos fazer mal aos outros, mesmo que eles nos façam a nós...

Sexta-feira, Março 17, 2006

A camisola cor-de-rosa

A D.G. é mãe do R., um dos meus melhores amigos... É uma mãe digamos, 'diferente'... Felizmente, conheço poucas assim... O 'seu menino' partiu "(...)faz hoje 1 ano, 9 meses e 6 dias...", como fez questão de me relembrar há minutos atrás.

Tinha acabado de chegar da Via-Sacra que fazem lá na paróquia nas sextas-feiras da Quaresma quando me ligou... Que se sentiu impulsionada a ir, apesar de (ainda) não andar muito assídua nestas coisas da Igreja...

Conversa puxa conversa, ora "é pena um tempo destes para o fim-de-semana", ora "como o tempo passa, já estamos a meio do mês"... e lá fomos alimentando por largos minutos os laços na amizade que nos unem já há 8 anos (sim, hoje acabei por «investir» mais uma aula do Teológico-Pastoral!).

Inevitavelmente, chegamos ao assunto do momento: a D.G. faz anos amanhã (creio que 49)!

Como lhe quero muito oferecer de prenda uma camisola bem bonita que vi esta manhã na A*** (ainda estão com saldos), aproveitei para lhe perguntar se preferia cinzenta ou bege (isto para variar um pouco das dezenas de camisolas pretas que lá tem no armário).

Perguntou-me se não tinha em rosa, "aquele rosa clarinho, para ficar bem com o alfinete que comprou na M***".

Sempre respeitei o seu luto... Desde que o R. morreu (tinha 27 anos quando um *$#§&! acidente o levou para longe de nós), nunca vi a D.G. usar outra cor que não o preto, o branco e, raramente, um cinzento carregado de angústia e tristeza pela dor de perder um filho... Eu lá me ía lembrar do rosa... Mas disse-lhe que sim...

Bom, se não for aquele modelo, hei-de encontrar uma outra camisola... contando que seja rosa!

E hoje, mais tarde, na minha oração, agradecerei a Deus o dom da vida da D.G., a sua força, a sua coragem, mas, acima de tudo, o convite espiritual para celebrar este período de preparação para a Páscoa com mais deleite, mais sentir e mais beleza que se manifestam (no objecto duma camisola rosa) em actos de vida nova!... Hoje, mais tarde, na minha oração, rogarei para que o 'rosa' se estenda também a outros passos desta caminhada da D.G.!

Falar da Quaresma aos pequeninos

Meio por acaso (vai daí talvez não), acabei por acertar ideias quanto à dificuldade com que me tenho deparado em falar de ‘Quaresma’ aos meus cristãos de 6 anitos...



Preparação para a Páscoa no 1º catecismo

Olhando o exemplo das catequeses do primeiro volume, encontramos os traços do tempo de preparação para a Páscoa desde a catequese 11 até à 16.

“Deus dá-nos a vida” é o tema da catequese 11 e “Deus faz tudo por nós” da catequese 12. O catecismo começa por olhar para a criação como Dom de Deus e o homem como centro da Criação. Tudo o que vive e respira, tudo o que tem vida neste mundo, foi criado para servir o homem. Ele fez tudo para nos servir. Na catequese 13, “Deus ajuda-nos a crescer”, o catequista ajuda a criança a compreender a sua vida e a presença de Deus. Deus ajuda todos a crescer.

Olhar a vida e a criação só pode levar o homem à adoração. Por isso, a catequese 14 olha para o louvor de Jesus a Seu pai. O louvor e a oração brotam do coração admirado. Admirado pela obra criada, admirado pela beleza da vida.

Mas a catequese e a sua coerência sequencial não permanece na criação e na vida criada. Ela avança para a vida que Jesus veio trazer ao mundo, para falar da Páscoa. Por isso a catequese 15, “A semente floriu” fala do mistério da morte e da vida, da morte e ressurreição de Jesus. Dando o exemplo da semente, de Jo 12, 24, “Se o grão de trigo, caindo à terra, não morrer, fica só ele: mas se morrer dá muito fruto”, parte-se da morte de Jesus que dá a vida aos que nele acreditam.

Partindo da vida do quotidiano, de uma semente, chega-se assim à Páscoa de Jesus, à vida que Ele nos veio trazer. A partir da contemplação das coisas criadas, chega-se à Nova Criação que Jesus veio realizar através da sua morte.

Chega-se à “grande festa – aleluia”, na catequese 16, a última antes da Páscoa. Nela se realiza uma celebração com as crianças. Agora não se fala só sobre a Páscoa, mas celebra-se o que se tem vindo a preparar. É necessário que não falte esta pequena celebração pois a catequese não é apenas um ensino da fé.

A celebração ajuda a compreender a fé com o coração e a leva ao encontro com a Ressurreição de Jesus.


fonte: Pe Edgar Clara, em Departamento de Catequese do Patriarcado de Lisboa

Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

Uma sugestão...

Como só devo ter oportunidade de actualizar novamente o blog no Sábado (Domingo?), fica este espaço aberto à partilha durante o resto da semana...

A sugestão é que cada visitante vá colocando o(s) versículo(s) bíblico(s) que mais lhe toca(m)...

Ora então, começo eu... com aquele 'desassossego' que faz parte da minha oração da noite diária:

"O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. ...»"
(Lc 10, 41-42a)

A semente é lançada à terra... e nasce!

A AS é uma das catequizandas do grupo do 6º ano. No sábado passado, foi-se deixando ficar propositadamente para trás, enquanto os colegas saíam no final da sessão. Comecei a arrumar a 'tralha' do costume: mesas, cadeiras, pc, canetas de feltro, ...

AS - Catequista, pega... É para ti...
eu - ?!

Desenrolei a folha A4 que me colocou nas mãos...

"Não te esqueças que DEUS Tem todo o poder, Faz o que bem entender, pois Ele Ama-te e cuida de ti...
Ele (DEUS) Quer-te transformar numa pessoa bondosa, e abençoar a tua família, amigos, e outras pessoas de quem gostas.
Acredita NELE e no Seu Amor, e verás todo o Seu poder.
Que DEUS Abençoe toda a tua família, amigos, etc... mas que Abençoe principalmente a ti... "


AS - Xau, Catequista!
eu - Obrigada, AS!

E porque 'Desporto é Saúde' - uma dinâmica...

Agora, que a Primavera está aí à porta, fica uma sugestão de dinâmica para fazer fora da Sala de Catequese, quando os dias começarem a ficar mais quentes...

A base é o tradicional 'Jogo da Macaca', que se converte numa forma criativa e divertida de assimilar o Decálogo (Os Dez Mandamentos da Lei de Deus). A forma como o esquema é feito, e a dinâmica é desenvolvida, deverá consciencializar os catequizandos de que seguir os Dez Mandamentos os aproximará ainda mais de Deus.


MATERIAL:
- uma pedra lisa ou uma tampinha de garrafa.
- giz de lousa para riscar a ‘macaca’ no chão (caso o local seja de cimento), ou uma vara (caso o local seja de terra).

REGRAS:
- a pedra / tampa deve ser atirada para dentro de cada casa
- a casa onde está a pedra / tampa deve ser saltada sem pisar
- perde o jogo quem lançar a pedra / tampa para fora das linhas do desenho, quem não souber o Mandamento em causa e quem pisar as linhas do desenho ao saltar.

DESENVOLVIMENTO:
- com um giz / vara, riscar / marcar no chão o esquema da macaca (ver figuras);
- tirar à sorte para ver quem começa o jogo;
- de fora da 'macaca', atirar a pedra / tampa, que deverá cair na casa n.º 1.
- antes de pular, dizer o Primeiro Mandamento e depois, com um pé, começar a pular, seguindo a ordem dos números, não pisando a casa onde está a pedra / tampa;
- só colocar os dois pés no chão quando houver uma casa ao lado da outra;
- ir pulando até chegar à última casa, que se pode chamar Felicidade, Deus, etc. ;
- o jogo prossegue, agora em sentido contrário. Ir pulando até chegar ao número 2, abaixar-se, mantendo-se num só pé, agarrar a pedra / tampa, e pular por cima da casa do Primeiro mandamento.
- o jogo passa para outro catequizando, agora com o Segundo Mandamento, Terceiro, etc.


OBS: Esta brincadeira poderá ser usada também para se trabalhar os Sacramentos. Neste caso, deve-se riscar o desenho com apenas sete casas.

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006

Falando de (in)disciplina...

Esta manhã, a N., uma 'colega' destas andanças da Catequese, comentava que, desde que a Catequese recomeçou após a pausa natalícia, tem-se deparado com episódios esporádicos de um certo problema de autoridade diante do seu grupo, composto por 11 catequizandos (8 meninas e 3 meninos com cerca de 9, 10 anos).

A situação que, inicialmente fora assimilada como sendo resultado do período de férias passado, acabou por se tornar de tal forma complicada e intolerável, que no Sábado passado a N. gritou durante a sessão, e acabou a chorar diante do grupo...

Numa pesquisa rápida pela Net, encontrei um artigo de Álvaro Ginel, secção "?Y Cómo?", traduzido da revista 'Catequistas', n.º 149 (2003), p. 28-29, que faz uma abordagem interessante sobre a problemática da disciplina na Catequese (ou, neste caso, a falta dela).

Aqui fica...

Para muitos catequistas, hoje é um problema a disciplina durante a sessão de catequese. "Não estão quietos. Não há quem os aguente. Todo o tempo a falar. Não se concentram...". Temos que reconhecer que este aspecto se converte para bastantes catequistas num problema preocupante. Os catequistas sentem que não têm autoridade, ou que "não aguentam com o grupo". Como consequência, realizam pouco (ou quase nada) do que tinham preparado. Nalguns casos, existem catequistas que abandonam a catequese porque é "mais difícil do que imaginavam; não se fazem com o grupo". O abandono pode implicar uma experiência negativa de animação. Outros catequistas não se preocupam e a sessão de catequese converte-se num tempo de jogo, onde se pronunciam “palavras religiosas” sem ambiente apropriado para acolhê-las...

COMPREENDER A SITUAÇÃO
Temos de fazer um esforço por compreender a situação:
a)O horário da catequese. Geralmente não estão colocadas as sessões nos melhores momentos do dia. Pesa o cansaço da jornada escolar ou é difícil a concentração porque o sábado é “dia de descanso”; a catequese parece que estraga o descanso.

b)A situação familiar. Cada criança é uma história bela condicionada pela educação que recebe em casa e pelo carinho e atenção que lhe são prestados. Hoje temos dois extremos: a ausência de carinho e a super-protecção de carinho que convertem a criança numa "ditadora" que faz o que quer e não está habituada a por um limite aos seus caprichos.

c)Outros factores. Existem outros factores que influenciam na disciplina como sejam: os amigos, o local, o tempo para o jogo e a diversão, a disciplina vivida na família, o colégio...

O CATEQUISTA
Falar de disciplina é falar também do catequista educador. Não podemos deitar todas as bolas ao campo contrário e dizer que "são eles os que têm a culpa, os que são mal-educados..."

O catequista tem muito que ver nisto da disciplina. Se o grupo “percebe ou intui” que o animador tem falta de personalidade, que está pouco convencido do que diz, que está perdido, que não sabe sair-se bem das dificuldades normais... então o grupo (ou os cabecilhas do grupo) aproveita-se para fazê-lo saber e sentir.

E a maneira de dizer ao animador que "vêm nele pouca consistência, pouco formação, pouco profundidade" é comportando-se mal. Dito mais simples: existe indisciplina cuja raiz é o próprio animador. Quem sabe, comprometeu-se a uma coisa que o supera.

ALGUMAS PISTAS
 Existe indisciplina que vem do cansaço das crianças e adolescentes (que são quem mais problemas podem apresentar). Nestes casos tens que procurar alguns recursos para relaxar e serenar os nervos. Não pretendas o impossível. Porás as coisas pior e não conseguirás nada. Para aproveitar vinte minutos, talvez tenhas de dedicar 15 em relaxação, ou exercícios não relacionados directamente com o tema... Tu sabes o que pretendes. Não o fazes por fazer. Tu dás resposta há realidade do teu grupo, uma realidade muito concreta, permitindo que a serenidade chegue. e ao fazer isto, não te culpabilizes porque "perdes o tempo". Ficas alegre porque estás "a preparar a terra" para que acolha a Palavra do Evangelho...

 Existem indisciplinados que o são por circunstâncias familiares: falta de carinho, falta da presença do pai ou da mãe, excesso de mimos, uma permissividade absoluta, etc. Umas vezes estes membros do grupo querem fazer-se notar, ou que repares neles... É bom: tê-los perto, dar-lhes incumbências concretas para fazerem, responsabilizá-los por outros, falar muito com eles antes e depois da sessão, querer-lhes sem permissividade barata, não feri-los em publico (porque não trouxeram... porque se esqueceram... porque não fizeram...), tendo em conta que em muitos casos não estão apoiados pela família; vêm para "cumprir o expediente". Todos gostamos de ser felicitados pelo que fizemos bem feito. Felicita cada pessoa quando faz as coisas bem; fá-lo sobretudo com os mais difíceis... Que descubram que o catequista fixa-se no que fazem bem feito, não só nas suas "traquinices".

 Terás que pedir conselho e opinião de outros catequistas para confrontar o que fazes com a experiência de outros, sobretudo com aqueles que têm mais experiência. As situações de cada grupo são impossíveis de catalogar, Os grupos e as pessoas não funcionam como os computadores: à base de ordens e de apertar em botões. Os acontecimentos são parecidos, mas não são iguais, porque os protagonistas são diferentes, com uma história, uma educação e uma referência familiar diferentes... Um grito pode vir bem num determinado ambiente... e ser muito negativo noutro... Tudo o que é educação assemelha-se mais a uma obra de arte do que a uma máquina automatizada... Graças a Deus!

 É absolutamente importante que descubras se a indisciplina do grupo é devida aos indisciplinados ou é uma palavra que te estão a dizer a ti mesmo os membros do grupo. Uma palavra para que sejas mais humano, mais profundo, mais coerente, ou para que te prepares melhor as coisas... Ordinariamente onde o grupo intui que existe "um mestre", "um que sabe e entende" costuma portar-se bem. Um exemplo: põe a ensaiar uma canção a uma pessoa que domine mal a viola ou saiba a meias o canto. Verás que ali ninguém se entende. Depois, faz que ensaie o mesmo canto e com o mesmo grupo uma pessoa que cante bem ou que toque bem a viola. Tu mesmo verás a diferença e entenderás o que te quero dizer.

É CHAVE
 A competência e a coerência do catequista é a chave de sucesso para que no grupo haja disciplina.

FLASH
 Num clima de indisciplina é impossível fazer uma boa catequese;

 Na catequese, como na escola, os problemas de disciplina hoje são uma realidade que tem muitas causas.

 O catequista necessita de experiência para saber detectar as causas da disciplina no grupo e para acertar na maneira de abordar os membros mais difíceis.

 O grupo no seu conjunto possui um sentido especial para "intuir" os aspectos mais frágeis do animador e "aproveitar" essas fragilidades.

SUGESTÕES
 A tranquilidade do animador é muito importante nos momentos em que no grupo acontece algo de especial. Se o grupo percebe que “alguma coisa” desconcerta o animador, já sabe por onde entrar e fazer-lhe “mossa”.

 O diálogo é a melhor arma para consertar o que acontece no grupo. Há momentos em que o diálogo não bastará e o melhor será fazer gestos com muito poucas palavras.

 O paleio, as ameaças, os insultos, as palavras que atentam contra a dignidade da pessoa costumam produzir precisamente os efeitos contrários aos que eram pretendidos.

 É bom utilizar frases e palavras um pouco misteriosas, que deixam uma interrogação, que abrem a algo que não é imediatamente objectivável, que suscitam a pergunta: Que quererá dizer?

 O carinho verdadeiro ao grupo e a cada pessoa do grupo é o melhor remédio. Carinho não é deixar fazer o que cada um quer, mas sim, entender a vida do grupo de cada elemento do grupo e gostar verdadeiramente deles. O amor leva há entrega.

 Tão importante ou mais que os "nãos" são os "sins", as felicitações, as palavras pessoais "ao ouvido".

Festa da Vida!

Para começar, um conto...

"Um homem caminhava, ao pôr do sol, numa praia deserta.
À medida que avançava, começou a avistar outro homem à distância. Ao aproximar-se, notou que ele se inclinava, apanhava algo e atirava para a água.
Repetidamente, continuava. Inclinava-se, apanhava algo e atirava para a água.
Aproximando-se ainda mais, o homem, notou que o outro estava a apanhar estrelas do mar que tinham sido arrastadas para a praia pela força das marés e, uma de cada vez, lançava-as de volta à água.
O homem ficou intrigado. Aproximou-se e disse:
— Boa tarde, amigo. Estava a tentar adivinhar o que é você está a fazer.
— Estou a devolver estas estrelas do mar ao oceano. Sabe, a maré está baixa e todas as estrelas do mar foram arrastadas para a praia. Se eu não as lançar de volta ao mar, a sua casa, elas morrerão por falta de oxigénio.
— Sim - respondeu o homem -, mas deve haver milhares de estrelas do mar nesta praia! Provavelmente você não será capaz de as apanhar a todas. É que são muitas, simplesmente. E além do mais, isso está a acontecer em centenas de praias acima e abaixo desta! Vê que não fará diferença alguma?
O outro sorriu, curvou-se, apanhou uma outra estrela do mar e, ao arremessá-la de volta ao mar, replicou:
- Olhe, fez diferença para aquela!"




Pois é...

Este conto faz-me lembrar a experiência que vivi no decorrer dos dois últimos fins-de-semana com o grupo do 8º ano, na preparação da (sua) Festa da Vida, celebrada ontem de manhã.

Aliado à irreverência e ao desinteresse quase generalizado que estes adolescentes manifestavam inicialmente perante esta celebração (senão todas), havia ainda o facto de mais de metade dos colegas nem frequentarem as sessões de catequese assiduamente... Logo... desinteresse ao quadrado!!

Já na semana passada haviam revelado uma certa renitência... Do "Somos tão poucos..."... passavam ao gélido "Achas mesmo?"... e mesmo ao "Para quê?"

Partilhava com alguns destes adolescentes que eu é que não compreendia o porquê de tamanha objecção... Bolas! Estávamos a preparar a Festa da VIDA! Não a Festa da Morte ou da Destruição!...

Vida! Vida! Vida! ... Não sentiriam eles necessidade de comemorar esta Vida?! Eles que se assumem tão 'cheios de pica' (creio que é assim que se diz, certo?)... Têm uma Vida que pode / deve ser festejada por tantos estímulos: o simples facto de existirmos, de acordarmos cada manhã, a vida social que cada um tem, a vida familiar, a vida espiritual, a vida em Cristo...

Verdade seja dita.. até sábado passado, as coisas não estavam a correr muito bem... Nossa... era quase arrepiante a indiferença e o desinteresse que estes adolescentes davam à celebração!! Como dizia o outro: 'Não estavam nem aí'...

E ontem (surpresa das surpresas!), a celebração revelou-se riquíssima... em todos os aspectos...

Para estas 'estrelas do mar', esta celebração fez toda a diferença...

Há-que reconhecer que parte desta adesão à Eucaristia e à celebração em si, se ficou a dever ao pároco que, em gestos simples como chamar cada um destes adolescentes pelo seu nome, os levou a assumir uma postura de responsabilidade, maturidade, dever... Também à Catequista, que, mesmo perante esta adversidade que é a ausência / desinteresse de grande parte do grupo, não desanimou... muito pelo contrário!

No final da Eucaristia, conversava até com ela (é a flor, lembram-se?) que foi extraordinária a mudança destes adolescentes... Na celebração da (sua) Festa da Vida acabaram por assumir uma atitude de profundo sentir, de entusiasmo, de organização, de responsabilidade de quem (como alguns fazem questão de assumir), vem à Catequese quase por obrigação.

Mas com a celebração de ontem, creio que as coisas vão mudar... Estes 13 adolescentes sentiram-se úteis, responsáveis, 'peças' importantes... afinal, foram novamente 'lançados ao mar'...

Prova desta vivência tão rica e intensa foi o facto de uma mãe de um dos adolescentes ausentes, ter, no final da Eucaristia, necessidade de se comprometer com a Catequista, a que o filho, a partir deste momento, participe na Catequese com maior assiduidade.

Ficam os sentimentos de alguns deles no final da Eucaristia:

"- Ai, Catequista, foi lindo, mesmo... "
"- Altamente... "
"- Muito bom... "
"- Foi espectacular!!"

Bom, mesmo na ausência de frases gramaticalmente mais completas, estas palavras reflectem o sentimento de gozo interior que exteriormente manifestavam. E ainda bem!

O grupo é formado por 27 adolescentes... mostraram-se 'disponíveis' 13... Mas estes 13 transmitiram na sua postura de coragem, o 'recado': sou apenas um detalhe, mas com Jesus, faço a diferença!

E quanto às restantes 14 'estrelas do mar' q continuam na praia, bom, a flor continua (e bem) a sua caminhada...

PS: Podemos partilhar o guião usado nesta celebração. Basta enviar um email para catequiso.existo@mail.pt.

Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006

Ser Catequista (também) é ser alegre - Humor :-D

Conversa entre duas comadres:

- Já leste a história de Jacob, o pai de José?
- Já, e várias vezes. Gosto muito daquela história.
- Realmente, é muito bonita. Mas reparaste que Jacob era analfabeto?
- Ah, não! A Bíblia não diz isso...
- Claro que diz. Lendo com atenção, notas... Está escrito na Bíblia que "Jacob amava Raquel e não Lia".

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

Pai-Nosso do Catequista


PAI - NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU,
Pai de todos nós, Vossos seguidores
Pai presente na missão de todos os Catequistas
Pai que Estais presente nos catequizandos que formamos
Pai, primeiro Catequista da humanidade e Mestre de sabedoria.

SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME;
Santificado seja o Vosso nome nas palavras que pronunciamos
Santificado seja o Vosso nome no tempo que dedicamos aos catequizandos
Santificado seja o Vosso nome pelo Catequista que somos.

VENHA NOS O VOSSO REINO,
Reino de paz e humanidade
Reino de fé e constância
Reino de forca e coragem
Reino de serviço e doação

SEJA FEITA A VOSSA VONTADE, ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU;
Seja feita a Vossa vontade nas palavras que dizemos
Seja feita a Vossa vontade em tudo que testemunhamos
Seja feita a Vossa vontade no testemunho que damos
Seja feita a Vossa vontade no coração de todos.

O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE;
Dai-nos o pão da esperança e segurança
Dai-nos o pão da Vossa Palavra, o Evangelho.
Dai-nos o pão para comer, pão que sacia a fome.
Dai-nos o pão da fé e do Vosso Amor, a Eucaristia.

PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS,
ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO;
Perdoai a nossa fraqueza na fé
Perdoai o nosso desânimo e descompromisso cristão
Perdoai a nossa não correspondência ao Vosso amor
Perdoem todos os que praticam o mal

E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO, MAS LIVRAI-NOS DO MAL
Livrai-nos da tentação, da ambição e do orgulho
Livrai-nos da tentação de não falar em nome da Vossa Igreja
Livrai-nos da tentação do comodismo
Livrai-nos da tentação de não professar, com actos, a fé que assumimos.

AMÉN!

(enviado por email, desconheço o autor)

Domingo, Fevereiro 05, 2006

Hoje vai disto...

Ontem tivemos reunião de Catequistas... improvisada!

Mas de um proveito desmedido... Partilhamos opiniões, discutimos pontos de vista, escutamos experiências... simplesmente sentadas no muro de pedra do adro paroquial!

Chegou uma, chegou outra... e formamos um grupinho de 7 (num total de 25)! Palavra puxa palavra, opinião apela opinião, dúvida suscita dúvida... E numa atitude de inter-ajuda recíproca, cada uma foi contribuindo, do seu jeito e dentro das suas limitações e experiência, para a caminhada de fé das colegas. Não havia cansaço, pressa ou frio que nos fizesse arredar pé dali...

E que bem que soube este momento improvisado, em que, sem marcação agendada e sem ordem de trabalhos programada, aprofundamos mais ainda esta união que, felizmente, caracteriza o nosso grupo...

Uma elevada parcela das Catequistas que actualmente estão no grupo já haviam feito Catequese ainda eu nem era catequizanda... Por questões diversas, foram saindo... e agora foram voltando... Só para verem, em idade, sou das mais novas... em 'anos de trabalho' ininterruptos, estou lá nos lugares cimeiros... Somos um grupo heterogéneo em várias vertentes (idade, habilitações, certos 'pontos de vista', etc), mas homogéneo num mesmo sentido: na missão de levar a pessoa de Jesus!

É tão bom ver que a responsabilidade e o compromisso cristãos são assim fortes, especialmente quando se tem uma casa, um marido, filhos, e muitas vezes netos... Nem sempre é fácil deixar tudo e dedicar (quando não mais), as tardes de sábado a este compromisso... Mas, felizmente, há quem o faça com entusiasmo e força de vontade...

Assim,
Pela união,
Pelas actividades maravilhosas que temos desenvolvido,
Pela boa-disposição perene,
Pelas diferenças na unidade,
Pela fraternidade,
Pela entre-ajuda,
Pela partilha de experiências e emoções,
Pelo fortalecimento constante que recebemos e damos,
Por tudo isto e muito mais...
... Merece um tributo, sim senhor, o grupo de Catequistas da minha paróquia!


Aqui fica o reconhecimento desta dissidente que tão bem acolhida se sente em [(agora)] ‘terra estrangeira’ ;-)

É que, afinal, somos um grupo... não caminha cada uma de uma forma distanciada, mas em conjunto, seguindo o exemplo de Jesus, que enviou os seus discípulos dois a dois, e não isoladamente.. (Lc 9, 1-6; 10,1)

Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006

Sou CHAMADA ou sou VOLUNTÁRIA? - III

PS:
Pois, por tudo isto, tal como Paulo, também eu sei que "De tudo sou capaz, NAQUELE QUE ME DÁ FORÇA" (Fl 4, 13).

Sou CHAMADA ou sou VOLUNTÁRIA? - II

Neste contexto, fica uma reflexão da autoria de Sidson Novais, a propósito da diferença entre o Chamado e o Voluntário.

Um voluntário olha para o ministério como mais um compromisso que ele é obrigado a cumprir,
Alguém chamado por Deus olha para o ministério como outra oportunidade para ser usado por Deus.

Um voluntário olha para as críticas construtivas com ressentimento,
Alguém chamado por Deus é agradecido pelo retorno que as pessoas dão ao seu trabalho, já que ele quer melhorar sempre o que faz.

Um voluntário dedica o mínimo de esforço necessário,
O chamado por Deus dedica o máximo de esforço.

Um voluntário fica sentado e reclama das inúmeras coisas que o chateiam,
Alguém chamado por Deus assume a sua responsabilidade pessoal de ajudar a melhorar o que precisa de ser melhorado.

Um voluntário sente-se ameaçado pelos dons e habilidades dos outros,
Alguém chamado por Deus sente-se seguro pela direcção de Deus na sua vida.

Um voluntário não busca estudar ou preparar-se melhor no que está a fazer (afinal de contas ele é um voluntário),
Alguém que é chamado por Deus tenta-se preparar para exercer o seu ministério da melhor forma possível.

Um voluntário é cego a respeito das necessidades do ministério, mas alguém chamado por Deus ora intensamente por essas necessidades.

Um voluntário vai desistir diante dos primeiros sinais de adversidade ou desencorajamento,
Alguém chamado por Deus permanece e continua a trabalhar, apesar dos obstáculos no caminho.

Um voluntário é mais propenso a ciúme e inveja,
Alguém chamado por Deus glorifica a Deus por distribuir habilidades espirituais.

Um voluntário retrai-se e evita resolver conflitos pessoais,
Alguém chamado por Deus busca resolver todos os conflitos de relacionamento para preservar a unidade da equipa com a qual está a servir.

Um voluntário tem como sua principal fonte de desempenho os seus próprios dons e habilidades,
Alguém chamado por Deus sabe que ser canal do poder de Deus é a melhor recompensa que alguém pode ter na sua vida.

Um voluntário não aceita ser colocado em situações de "tensão",
Alguém chamado por Deus responde com humilde dependência de Deus.


Sou CHAMADA ou sou VOLUNTÁRIA? - I

No sábado passado, numa conversa de tlm, comentava em tom de brincadeira com uma Catequista que não me sentia 'voluntária' na missão de fazer Catequese...
Bom, não é q o faça de forma 'involuntária', 'constrangida' ou 'automática'... de maneira nenhuma!... mas o que é facto é q, principalmente no final de cada sessão, chego à (feliz) conclusão de que não faço Catequese especialmente porque EU QUERO, mas porque ELE QUER...

É Ele que Chama,
É Ele que Inspira,
É Ele que Anima,
É (a) Ele que eu dou...

E porque ELE QUER, eu lá 'obedeço', duma forma generosa, subordinada, disciplinada...

Em jeito de gracejo, e entrando no rumo que a conversa tomava, dizia a tal colega que, de facto, nem parece meu, fazer algo exclusivamente porque me 'pressionam' a fazê-lo, sem questionar ou mostrar o meu ponto de vista. É que eu sou assim, desde que me conheço... não lido bem com imposições, coacções, tensões, pressões... e muitas outras coisas terminadas em "ões"...

Não que ande por aí de forma insubordinada... Nem de longe, nem de perto!... Claro que há regras e limites, e estes têm que ser respeitados... Há compromissos que a minha condição de 'ser social' me leva a honrar... Claro que há condições que me são exigidas e que eu tenho que compreender e aceitar...

Mas quem me conhece, sabe que não gosto de me sentir 'presa', 'agarrada'... Sou incapaz de usar um par de sapatos apertados, por mais bonitos que sejam; sou incapaz de permitir que me imponham (no sentido mais forte da palavra) certas atitudes que só a mim cabem decidir...

Mas com Ele, é diferente...

Ele não me Diz: "- Tens tempo (até porque Ele sabe que não!).."
Ele simplesmente Diz: "-Vai!"...
e eu vou...

Ele não me Diz: "- Tu até tens jeito.."
Ele simplesmente Diz: "- Faz!"...
e eu faço...

E, apesar de amorosamente algemada a esta maravilhosa tarefa, nada me impede de o fazer... nem calor, nem frio, nem cansaço... e nem a 'resistência' à imposição que por vezes me caracteriza nas vivências mundanas.

Parece-me que reside aqui a principal diferença entre o voluntariado e o chamado...

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006

Telefones Úteis

Num destes dias, recebi um email (género daquelas 'correntes', que arrastam os nossos endereços, os endereços dos nossos amigos, dos amigos dos nossos amigos, e por aí fora), cujo assunto era: 'Telefones Úteis'...

Abri... e gostei!

Confesso que tenho 'discado' assiduamente alguns dos números que lá apareciam... e estou bastante satisfeita com o 'serviço' prestado 'do outro lado da linha' :-)

Aqui ficam...

TELEFONES ÚTEIS

Quando estiveres triste ou amargurado,
liga Jo 14
Quando pessoas te faltarem como prometeram,
liga Sl 27
Se queres ser frutífero,
liga Jo 15
Quando estiveres irritado,
liga Sl 51
Quando estiveres preocupado,
liga Mt 6, 19-34
Quando estiveres em perigo,
liga Sl 91
Quando Deus te parecer distante,
liga Sl 139
Quando a tua fé divina precisar de ser activada,
liga Heb 11
Quando estiveres sozinho e com medo,
liga Sl 23
Quando fores áspero e crítico,
liga 1 Cor 13
Para saberes o segredo da felicidade de Paulo,
liga Cl 3, 12-17
Quando te sentires triste e sozinho,
liga Rm 8, 31-39
Quando quiseres paz e descanso,
liga Mt 11, 25-30
Quando o mundo te parecer maior do que Deus,
liga Sl 90
Quando quiseres a garantia de Cristo,
liga Rm 8, 1-30
Quando saíres de casa para trabalhar ou viajar,
liga Sl 121
Quando as tuas orações forem estreitas ou egoístas,
liga Sl 67
Quando precisares de coragem para fazer uma tarefa, um dever,
liga Js 1
Se estás desencorajado com o trabalho,
liga Sl 126
Se achas que o mundo e mesmo tu próprio estão a crescer pouco,
liga Sl 19

Estes telefones de emergência podem ser discados directamente... Não é necessário nenhum operador de assistência de chamadas.

Todas as linhas do céu estão abertas 24 horas por dia!

Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

Uma questão de peito

A DL é uma das Catequistas do n/ grupo [(somos 3 – eu, a DL e a I. (um dia ainda hei-de falar da (agradável) surpresa que tem sido trabalhar com esta última)].

Mas voltando agora à DL...

A DL é ama de duas crianças. Uma delas é o A., um menino com 5 anos, figurinha pequenina até para a idade, ar reguila, mas desconfiado, de porte geralmente sério.

Contava-me a DL que o A. gosta mesmo muito de rezar, de falar com Jesus, de pedir a protecção do Anjo da Guarda… tudo muito do 'seu jeito', dentro da inocência e da pureza de coração que o caracterizam…

Até aqui, tudo ok… agora, que não falem ao A. em fazer o Sinal da Cruz completo… Começa pela testa, sim senhor, passa para a boca… e daí 'salta' para a cruz grande!!

Recusa-se prontamente a fazer a cruz do peito e a dizer as palavras 'dos nossos inimigos'...

O motivo?

Resposta do A.:

"-Ó tia (é assim que ele trata a DL), porque eu não tenho inimigos!... "

E por mais argumentos que a 'tia' esgrima, a resposta do A. é sempre a mesma:

"- Já te disse q não tenho inimigos, tia… Não insistas… Se eu tivesse inimigos… Agora… eu NÃO tenho inimigos, tia!"

Mas a 'tia' lá vai insistindo, dizendo que sabe q o A. não tem inimigos, pois é um menino bom e simpático, mas que este sinal que é feito no peito visa proteger o nosso corpo e o nosso coração de todos aqueles que nos quiserem fazer mal, agora e sempre... porque infelizmente nem todas as pessoas são boas como o A..

E continua, dizendo que com este gesto no peito estamos também a pedir protecção para nós próprios não fazermos mal aos outros.

Mas para o A. estas explicações não lhe soam razoáveis, e por isso 'fica na dele'.



É deveras interessante a abordagem tão cuidadosa e atenta do A. neste gesto que muitos de nós, adultos, baptizados, fazemos diariamente... e quantas vezes não paramos para meditar em cada trajecto que desenhamos no nosso corpo.

Bom, é caso para dizer q é mesmo uma 'questão de peito' :-)

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

Isto vai doer...

Exame a Teologia do Laicado – 27 de Janeiro (sim, próxima sexta!!)
Exame a Antropologia Teológica – 3 de Fevereiro
Exame a Direito Canónico – 10 de Fevereiro




Pois é… como neste primeiro semestre não fui propriamente um exemplo em termos de assiduidade e pontualidade às aulas do Teológico-Pastoral, agora há-que "arregaçar as mangas" e dedicar-me mesmo a isto…

Para esta semana, dois livros de cabeceira: “CHRISTIFIDELES LAICI”- Exortação Apostólica Pós-Sinodal de João Paulo II sobre a vocação e missão dos leigos, e "LUMEN GENTIUM" - 'A Luz dos Povos', Constituição dogmática do Conc. Vat. II sobre a Igreja.

A ver vamos…

Actualizações do blog e visitas aos 'sítios do costume' é q só mesmo lá para o final da semana...

Domingo, Janeiro 22, 2006

"- Como é q nascem (mais) hóstias?"

"- Como é q nascem (mais) hóstias?" - 4

Por isso, e na impossibilidade de percorremos todo o ciclo tradicional de fabrico do pão, desde o lavrar da terra até à distribuição, no próximo sábado vamos fazer uma "visita de estudo" a uma padaria q abriu recentemente lá próximo da igreja,
onde nos vão explicar como é confeccionado o pão. A proprietária desta padaria apoia de uma forma assídua e generosa as actividades da Catequese e, mais uma vez, se disponibilizou p/ colaborar, desta vez recebendo-nos lá na padaria.
[(Abro um parêntesis p/ realçar a rikeza desta comunhão Catequese – Comunidade)].
A gentileza é tamanha q a dita senhora se propôs a falar com o padeiro, p/ ver qual a possibilidade de serem feitas algumas partículas de hóstias lá no momento da visita...
Caso tal ñ seja possível, e como medida preventiva, hoje já foram recolhidas na Sacristia algumas partículas p/ no final da visita serem distribuídas pelos 20 "bocadinhos de gente" q continuamente nos fazem ver pq é q a missão do Catequista é tão... (como hei-de dizer?)... tão... tão gratificante!
Bom, voltando ao programa da visita, depois do padeiro cumprir com a parte dele, entram as Catequistas em acção, explicando a diferença entre akelas hóstias e as q são distribuídas na Eucaristia no momento da Comunhão.
Claro está q transportar p/ crianças com 6 anos toda a "teoria" ñ será tarefa fácil.
Conversava até com uma colega catequista q temo q esta seja uma experiência um tanto ao quanto prematura, uma vez q estas crianças estão no primeiro ano, e a sua Primeira Comunhão (primeira de muitas, esperemos!), realizar-se-à sensivelmente
dentro de 2 anos e meio... Mas, bom, também ñ temos nada a perder!...
Pessoalmente, recordo-me com toda a nitidez da minha Primeira Comunhão... Tinha 7 anos incompletos... Recordo-me perfeitamente da azáfama 'material' q usualmente gira em torno deste momento (é o vestido, é o ramo, é o restaurante, são os convites, etc), mas especialmente do corrupio interior em q andava.... e q permanece até hoje...

"- Como é q nascem (mais) hóstias?" - 3

>> Mas então, de onde vêm as hóstias? Como é q se processa o seu fabrico? >>

O fabrico de hóstias é um processo moroso e complicado q garante ainda hoje a subsistência de mosteiros de diversas ordens religiosas... recordo-me dos casos das Carmelitas e das Clarissas...
O processo de fabrico das hóstias envolve tanto paciência como perícia.
Fica uma breve narração deste procedimento.
As hóstias são feitas simplesmente com farinha e água sem qq tipo de fermento, sal ou açúcar. A farinha é a mesma q se utiliza p/ fazer o pão.
Misturada com água em dose certa, numa pekena batedeira industrial, a massa fica pronta mal atinja a consistência de uma gemada. Seguidamente, é colocada num alguidar de onde se retira, com uma concha, a quantidade necessária p/ cobrir o ferro, uma máquina eléctrica de formato rectangular com uma chapa em cima e outra em baixo. Ao juntarem-se, as chapas distribuem a massa uniformemente, cozendo-a durante mais ou menos 45 segundos. A tampa do ferro salta automaticamente quando o pão está cozido.
Pode parecer um processo simples, mas a coisa ñ acaba por aqui.
Mal saem da cozedura, os finos pães rectangulares seguem directamente p/ um armário humificador, onde ganham maleabilidade, já q quando o pão sai do ferro vem estaladiço e assim ñ se podem recortar as hóstias.
De um dia p/ o outro, por norma, a kestão fica resolvida.
A fase final é dada pela máquina de corte, constituída por tubos com lâminas exteriores afiadas q retiram da base do pão.
Depois de cortadas seleccionam-se as melhores hóstias entre as q têm pequenos defeitos. A seguir, as q estão perfeitas voltam à secagem p/ assim se conservarem durante mais semanas.
Hoje em dia está ao dispor uma maquinaria mais sofisticada q a usada há umas décadas atrás, permitindo q seja feita uma maior quantidade de hóstias em menos tempo e com menos trabalho.
A título de curiosidade, comentava comigo uma amiga q tem uma tia-avó religiosa, q esta lhe contou q há uns anos atrás as hóstias, principalmente as grandes, tinham q ser cortadas à tesoura.

"- Como é q nascem (mais) hóstias?" - 2

Posto isto, nenhum Catequista fica indiferente...

Primeiro, ó T., as hóstias ñ 'nascem' :-)... e também ñ se 'comem', R.! :-)

O pão simboliza o "alimento" por excelência e tem um significado político, social e religioso. O pão, talvez por ser um alimento conhecido em praticamente todas as culturas, assume também um papel simbólico na religião cristã, sendo muitas as referências bíblicas q o apresentam como elemento espiritual ao lado do alimento corporal.
O pão "fruto da terra e do trabalho do homem", foi o alimento escolhido por Jesus na Última Ceia p/ o mistério da transubstanciação, quando Pegou no pão, Repartiu-o e Deu-o aos Seus discípulos, dizendo: "Isto É o Meu corpo, q vai ser entregue por vós; fazei isto em memória de Mim" (Lc 22,19).
Esta cerimónia é repetida na Eucaristia, onde, seguindo o exemplo de Cristo, a Igreja utilizou sempre o pão e o vinho com água p/ celebrar a Ceia do Senhor.
Há q ter em conta q o pão p/ celebrar a Eucaristia deve ser só de trigo, confeccionado recentemente e, segundo a antiga tradição da Igreja latina, pão ázimo.
Convém ainda q o pão eucarístico, embora ázimo e apresentando a forma tradicional, seja confeccionado de modo a q o sacerdote possa realmente partir a hóstia em várias partes e distribuí-las pelo menos a alguns dos fiéis. O gesto da "fracção do pão" – assim era designada a Eucaristia na época apostólica – manifesta de modo mais expressivo a força e o valor de sinal da unidade de todos num só pão e de sinal da caridade, pelo facto de um só pão ser repartido entre os irmãos.

"- Como é q nascem (mais) hóstias?" - 1

Situação 1:
Domingo, 15 de Janeiro de 2006 - (Eucaristia da Catequese)

O T. está no primeiro ano. Bem no banco da frente, fitava com atenção o altar no momento em q o sacerdote e os ministros da comunhão desciam as escadas p/ a distribuição.
Tocando-lhe ao de leve no braço, perguntei:
- T., está tudo bem?
Resposta do T.:
- Ó Catequista, quando akelas hóstias acabarem, como é?
- Como é?!
- Sim, como é q nascem mais hóstias?

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Situação 2:
Sábado, 21 de Janeiro de 2006

O T. voltou ao assunto "hóstias". Desta vez, pq tinha 'reparado' q "- O Senhor Padre tem direito a uma hóstia maior. Porquê, Catequista? Pq é padre?"

E sai-se a R. com:
- "Ó Catequista, sabias q eu também já 'comi' hóstias? O Senhor Padre às vezes dá-me quando eu vou com a minha mãe falar com ele."

Ora bem, posto isto... Ora a R. estava a mentir, "-Pq ainda ñ fizemos a Primeira Comunhão e logo ñ podemos 'comer' hóstias"... Ora "- O Sr. Padre gosta mais da R. do q dos nós."... Ora "- A R. é a mais esperta da sala e portanto é por isso q ela tinha 'comido' hóstias e nós ñ"..

Bom, o sentido crítico destas mentes de 6 anos ñ deixa ‘escapar’ nada... !!
E ainda bem!!

Segunda-feira, Janeiro 09, 2006

O Balanço dos 6 'C'

Vejo na palavra e no acto 'avaliação' uma vertente de carácter fortemente positivo, quando feita adequadamente.

O que hoje trago em jeito de sugestão é um exemplo de uma avaliação que pode ser feita depois de um certo tempo de caminhada catequética. Tanto pode funcionar como ponto de situação da caminhada percorrida até então, como ponto de partida para aspectos a melhorar, a erradicar, e/ou a preservar.

Pessoalmente, costumo fazê-la no início do segundo período, após a pausa na época natalícia.

Este ano, com os mais pequeninos (1º ano), esta avaliação será feita de uma forma integral e aprofundada somente entre as catequistas que estão no grupo... Na sessão com os catequizandos, procurar-se-à sim, em jeito de diálogo, abordar, "ao de leve", os vários pontos que constam deste balanço.

Com a turma do 6º ano, dado que estamos juntos desde há três anos, e, consequentemente, já existe uma in[(tegridade)(timidade)] e um sentido de equipe bem orientado, aliado ao facto dos catequizandos (já) terem 12, 13 anos de idade, reúnem-se as condições necessárias para que esta apreciação seja feita com o grupo, até na forma de uma dinâmica, a fazer, quem sabe, no seguimento de uma partida das "orelhas" ou da "pesca" que por vezes são jogadas nos minutos que antecedem o horário da sessão de Catequese...

Ora então, aqui fica uma sugestão para esta dinâmica:

Construir uma carta de baralho semelhante à apresentada na figura, em tamanho gigante. Cada coração deverá abrir como uma janela, e no seu interior aparecer um dos "C" descritos de seguida.
Dialogar sobre cada um dos pontos que for sendo revelado (as questões colocadas à frente de cada "C" podem servir de orientação e de base ao diálogo).



1- COMPROMISSO: os catequizandos comprometem-se com o grupo? O grupo compromete-se com cada catequizando? E o catequista? Há um esforço comum para que as tarefas assumidas sejam adequadamente desempenhadas por todos? Como estão a pontualidade e a frequência aos encontros?

2- COOPERAÇÃO: há preocupação de todos com o bem geral do grupo? O ambiente é de entre-ajuda ou os catequizandos esperam tudo do catequista? Há interesse em ajudar na preparação dos encontros ou uns "empurram" para os outros?

3- CONCENTRAÇÃO: são todos capazes de levar uma reflexão até o fim ou dispersam-se em conversas paralelas? O ambiente nos encontros está mais para momentos de crescimento na fé ou parece-se como uma “escola”? Há demonstração de maturidade?

4- CRESCIMENTO: em relação aos primeiros encontros, é possível notar algum amadurecimento no grupo? Há também algum sinal de amadurecimento individual de cada catequizando e de cada catequista?

5- CRIATIVIDADE: a turma tem-se assumido como espontânea e descontraída? Que factores têm colaborado ou dificultado? Os catequizandos apresentam sugestões para a caminhada? Parecem interessados ou demonstram que estão na Catequese por imposição?

6- CARINHO: a amizade está a evoluir no grupo? Ou o grupo parece-se mais com um conjunto de estranhos que se encontram semanalmente? Como podemos perceber isso?

Do que tenho recolhido em experiências anteriores, este diálogo é um excelente trampolim para que a caminhada que ainda resta fazer ao longo do ano catequético seja assumida ainda com um maior sentido de compromisso, para além de estimular a convivência grupal e o empenhamento comum desta tarefa de fazer Catequese.


É que, afinal (e adulterando um pouco o slogan que tem passado na TV):
Catequizar... toca a todos!


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(proposta de dinâmica recolhida a partir dum artigo publicado em http://www.psjbosco.com.br)

Quarta-feira, Janeiro 04, 2006

Diálogo Ecuménico vs Diálogo Inter-Religioso

Numa destas manhãs, enquanto me preparava para mais um dia de trabalho, ouvi num dos blocos informativos matinais, que um dos nossos candidatos à Presidência da República havia incluído na sua pré-campanha eleitoral uma visita à sinagoga judaica de Lisboa.

Fundamentava a sua visita dizendo que é de uma importância pertinente (e passo a citar) "o diálogo ecuménico entre as diversas religiões"...

Não colocando em causa de forma alguma o propósito pretendido com estas palavras, a verdade é q a afirmação em causa está construída com conceitos menos exactos, onde o termo "ecuménico" contrasta com "diversas religiões".

Posto isto, transporto hoje para este espaço uma temática que me parece pertinente abordar, ainda que de uma forma curta e simplificada: a distinção entre

DIÁLOGO ECUMÉNICO
e
DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO

Talvez seja conveniente salvaguardar, antes de mais, que o diálogo ecuménico e o diálogo inter-religioso são afins e estão ligados entre si, embora não se identifiquem um com o outro. Entre os dois, existe uma diferença específica e qualitativa, que, por tal facto, não se devem confundir.

Quando falamos em Diálogo Ecuménico, estamos a referir-nos à comunhão entre as diversas Confissões Religiosas, dentro da Religião Cristã. O empenhamento ecuménico visa pois a promoção da unidade dos cristãos, e a colaboração destes entre si.
O diálogo ecuménico não se fundamenta apenas na tolerância e no respeito devido a cada convicção humana e / ou religiosa, mas está enraizado na fé conjunta em Jesus Cristo como "o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14, 6), e no mútuo reconhecimento do baptismo, por meio do qual todos os baptizados são membros do único Corpo de Cristo (Gl 3, 28; 1 Cor 12, 13) e podem rezar em conjunto, como Jesus nos ensinou: "Pai Nosso...".

Por outro lado, no Diálogo Inter-Religioso, assiste-se a uma partilha do sentido e do respeito a Deus ou ao Divino e o desejo de Deus ou do Divino; o respeito pela vida, a aspiração à paz com Deus ou com o Divino, e entre os homens...
Os cristãos e os seguidores das outras religiões podem rezar, mas não o realizam em conjunto.
Há uma partilha de valores morais, há uma colaboração (válida de um modo particular para as religiões monoteístas) que tende a defender e promover, de maneira conjunta, em benefício de todos os homens, a justiça social, a paz e a liberdade... e, acima de tudo, há um respeito mútuo pela diversidade (legítima!).



Resumindo,

PRÁTICAS ECUMÉNICAS – com outros cristãos

PRÁTICAS INTER-RELIGIOSAS – com outros credos

Sexta-feira, Dezembro 30, 2005

Feliz 2006!



Na noite de Reveillon, costumo guardar uns minutinhos para, serenamente, recordar aqueles que, durante o ano que ora termina, imprimiram a sua pegada no meu caminho… seja de uma forma negativa, seja positivamente…

Este ano, transportarei para este momento todos quantos, de uma forma ou de outra, fui "conhecendo" neste espaço virtual...

Um bem-haja a todos e votos de um 2006 repleto de Luz!

marta

"CATECHESI TRADENDAE"

A par da Bíblia Sagrada, do Catecismo da Igreja Católica, do Directório Geral da Catequese. de guias formativos dos cursos de catequistas (onde se inclui o excelente "Catequistas XXI"), julgo que na cabeceira de cada Catequista deveria estar providenciado quase que obrigatoriamente um texto que tem tanto de fundamental como de maravilhoso: a Exortação Apostólica «CATECHESI TRADENDAE», de João Paulo II.

Esta exortação (do latim exhortatióne - advertência, conselho, estímulo, incitamento), data de 16 de Outubro de 1979, por altura do segundo ano do pontificado de João Paulo II.

É de uma delícia indescritível a mensagem que João Paulo II nos propicia nesta revelação.

Por hoje, deixo alguns excertos deste maná que não me canso nunca de saborear...

1. A catequese foi sempre considerada pela Igreja como uma das suas tarefas primordiais, porque Cristo ressuscitado, antes de voltar para o Pai, deu aos Apóstolos uma última ordem: fazer discípulos de todas as nações e ensinar-lhes a observar tudo aquilo que lhes tinha mandado (1). Deste modo lhes confiava Cristo a missão e o poder de anunciar aos homens aquilo que eles próprios tinham ouvido do Verbo da Vida, visto com os seus olhos, contemplado e tocado com as suas mãos (2). Ao mesmo tempo, confiava-lhes ainda a missão e o poder de explicar com autoridade aquilo que Ele lhes tinha ensinado, as suas palavras e os seus actos, os seus sinais e os seus mandamentos. E dava-lhes o Espírito Santo, para realizar tal missão.

(1) Cf Mt 28, 19
(2) Cf 1Jo 1,1


6 – (...) A preocupação constante de todo o catequista, seja qual for o nível das suas responsabilidades na Igreja, deve ser a de fazer passar, através do seu ensino e do seu modo da comportar-se, a doutrina e a vida de Jesus Cristo. Assim, há-de procurar que a atenção e a adesão da inteligência e do coração daqueles que catequiza não se detenha em si mesmo, nas suas opiniões e atitudes pessoais; e sobretudo não há-de procurar inculcar as suas opiniões e opções pessoais, como se elas exprimissem a doutrina e as lições de vida de Jesus Cristo. Todos os catequistas deveriam poder aplicar a si próprios a misteriosa palavra de Jesus: “A minha doutrina não é minha mas d'Aquele que me enviou” (13).

(13) Jo 7,16


9. Ao fazer esta evocação, não esqueço que a Majestade de Cristo quando ensinava, a coerência e a força persuasiva únicas do seu ensino, não se conseguem explicar senão porque as suas palavras, parábolas e raciocínios nunca são separáveis da sua vida e do seu próprio ser. Neste sentido, toda a vida de Cristo foi um ensinar contínuo: os seus silêncios, os seus milagres, os seus gestos, a sua oração, o seu amor pelo homem, a sua predilecção pelos pequeninos e pelos pobres, a aceitação do sacrifício total na cruz pela redenção do mundo e a sua ressurreição, são o actuar-se da sua palavra e o realizar-se da sua revelação. (...)


19. A especificidade da catequese, distinta do primeiro anúncio do Evangelho que suscita conversão, visa o duplo objectivo de fazer amadurecer a fé inicial e de educar o verdadeiro discípulo de Cristo, mediante um conhecimento mais aprofundado e sistemático da Pessoa e da mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo (49). (…)

(49) Synodus Episcoporum, De catechesi hoc nostro tempere tradenda praesertirn pueris atque iuvenibus, Ad Populum Dei Nuntius, n. 1: loc. cit., pp. 3 ss.; cf. “L'Osservatore Romano” (30 de Outubro de 1977), p. 3.


20 – (...) Mais precisamente, a finalidade da catequese, no conjunto da evangelização, é a de construir a fase de ensino e de ajuda à maturação do cristão que, depois de ter aceitado pela fé a Pessoa de Jesus Cristo como único Senhor e após ter-Lhe dado uma adesão global, por uma sincera conversão do coração, se esforça por melhor conhecer o mesmo Jesus Cristo, ao qual se entregou: conhecer o seu «mistério», o Reino de Deus que Ele anunciou, as exigências e promessas contidas na sua mensagem evangélica e os caminhos que Ele traçou para todos aqueles que O querem seguir.
Se é verdade, portanto, que ser cristão significa dizer “sim” a Jesus Cristo, convém recordar que tal “sim” se situa a dois níveis: consiste, antes de mais, em abandonar-se à Palavra de Deus e apoiarse nela; mas comporta também, num segundo momento, o esforçar-se por conhecer cada vez melhor o sentido profundo dessa Palavra.


23 – (…) a catequese conserva sempre uma referência aos Sacramentos; toda a catequese leva necessariamente aos Sacramentos da fé. Por outro lado, a autêntica prática dos Sacramentos tem forçosamente um aspecto catequético. Por outras palavras, a vida sacramental empobrece-se e depressa se torna ritualismo oco, se não estiver fundado num conhecimento sério do que significam os Sacramentos. E a catequese intelectualiza-se, se não for haurir vida na prática sacramental.


27 - A catequese sempre há-de haurir o seu conteúdo na fonte viva da Palavra de Deus, transmitida na Tradição e na Escritura. (…)


29 – (…) De tudo isto se deduz a importância duma catequese que inclua as exigências morais e pessoais requeridas pelo Evangelho, e as atitudes cristãs frente à vida e frente ao mundo, sejam elas heróicas ou as mais simples: nós costumamos chamar-lhes virtudes cristãs ou virtudes evangélicas. Daí também o cuidado a ter na catequese em não omitir, nem deixar de esclarecer como convém, num constante esforço de educação da fé, realidades como a acção do homem para a sua libertação integral (73), o empenho na busca de uma sociedade mais solidária e fraterna e o compromisso na luta pela justiça e pela construção da paz. (…)

(73) Cf. Paulo PP. VI, Exortação Apostólica Evangelli Nuntiandi, nn. 30-38: AAS 68 (1976), pp. 25-30.


32 - O grande movimento que por inspiração do Espírito de Jesus, de há alguns anos para cá, vem impelindo a Igreja Católica a procurar com outras Igrejas ou confissões cristãs a recomposição da perfeita unidade desejada pelo Senhor, leva-me a dizer uma palavra sobre o carácter ecuménico da catequese. Esse movimento assumiu todo o relevo no Concílio Vaticano II (82). A partir daí revestiu-se na Igreja de nova amplidão, concretizada numa série impressionante de factos e iniciativas que já todos conhecem. A catequese não pode ficar alheia a esta dimensão ecuménica. Todo e qualquer fiel, cada um segundo a sua capacidade e situação na Igreja, é chamado a participar no movimento para a unidade (83). A catequese terá, pois, uma dimensão ecuménica sempre que, sem deixar de ensinar que a plenitude das verdades reveladas e dos meios de salvação instituídos por Cristo se mantém na Igreja (84), fizer tal ensino com sincero respeito em palavras e obras, para com as comunidades eclesiais que não estão em perfeita comunhão com esta mesma Igreja.

(82) Cf. todo o Decreto sobre o Ecumenismo Unitatis Redintegratio: AAS 57 (1965). pp. 90-112.
(83) Cf. ibidem; n. 5: 1. c., p. 96; cf. também Concílio Ecuménico Vaticano II, Decreto sobre a Actividade Missionária da Igreja Ad Gentes, n. 15; AAS 58 (1966), pp. 963-965; Sagrada Congregação para o Clero, Directorium Catechisticum Generale, n. 27; AAS 64 (1972), p. 115.
(84) Cf. Concílio Ecuménico Vaticano II, Decreto sobre o Ecumenismo Unitatis Redintegratio, nn. 3-4: AAS 57 (1965), pp. 92-96.


55 – (…) A pluralidade de métodos na catequese contemporânea pode ser sinal de vitalidade e de talento inventivo. Em qualquer hipótese, importa que o método escolhido se atenha acima de tudo a uma lei fundamental para toda a vida da Igreja: a lei da fidelidade a Deus e da fidelidade ao homem, numa única atitude de amor.


58 – (…) Ora sucede que há também uma pedagogia da fé; e nunca será demais tudo o que se disser sobre o que essa pedagogia pode contribuir para a catequese. É normal que se adaptem à educação da fé as técnicas aperfeiçoadas e comprovadas da educação em geral. No entanto, importa ter em conta em cada momento a originalidade própria da fé. Na pedagogia da fé, não se trata simplesmente de transmitir um saber humano, por mais elevado que se considere; trata-se de comunicar na sua integridade a Revelação de Deus. Ora ao longo de toda a história sagrada, sobretudo no Evangelho, o próprio Deus serviu-se de uma pedagogia que deve continuar a ser modelo para a pedagogia da fé. Nenhuma técnica será válida na catequese senão na medida em que for posta ao serviço da fé a transmitir e a educar; caso contrário, não terá valor.


60 – (…) Quando educamos crianças, adolescentes e jovens, não lhe demos da fé um conceito totalmente negativo – com um não-saber absoluto, uma espécie de cegueira, uni mundo de trevas; procuremos antes fazer-lhes ver que a atitude de procura humilde e corajosa do crente, longe de partir do nada, de simples ilusões, de opiniões falíveis, de incertezas, se funda na Palavra de Deus, que não se engana nem engana, e se constrói incessantemente sobre a rocha inabalável dessa Palavra. É a procura dos Magos no seguimento de uma estrela (106), procura a respeito da qual, retomando um pensamento de Santo Agostinho, escrevia Pascal de maneira
profundíssima: “Tu não me buscarias, se não me tivesses já encontrado” (107).

(106) Cf. Mt. 2,1 ss
(107) PASCAL-Blaise, Le mystère de Jésus: Pensées, n. 553.


62 - Agora, caríssimos Irmãos e Filhos, desejaria que as minhas palavras, escritas à maneira de grave e ardente exortação, ditada pelo meu ministério de Pastor da Igreja universal, inflamassem os vossos corações, como as Cartas de São Paulo inflamaram seus companheiros de Evangelho Tito e Timóteo; ou então, vos alentassem como Santo Agostinho, quando escreveu esse verdadeiro tratado em ponto pequeno, sobre a alegria de catequizar (112), dirigido ao Diácono Deogratias, que andava desalentado com a sua tarefa de catequista. Sim, desejaria semear abundantemente nos corações de tão numerosos e diversos responsáveis pelo ensino religioso e pela preparação para uma vida conforme ao Evangelho, a coragem, a esperança e o entusiasmo.

(112) De catechizandis rudibus: PL 40,310-347.


66 - Desejo agradecer-vos em nome de toda a Igreja, também a vós, catequistas paroquiais, leigos, homens, e mulheres em maior número ainda, a vós todos que pelo mundo inteiro vos dedicastes à educação religiosa de numerosas gerações. A vossa actividade, muitas vezes humilde e escondida, mas realizada com zelo inflamado e generoso, é uma forma eminente de apostolado leigo, particularmente importante naquelas partes onde, por diversas razões, as crianças e os jovens não recebem no lar formação religiosa conveniente. Quantos somos, realmente, aqueles que recebemos de pessoas como vós as primeiras noções de catecismo e a preparação para o sacramento da Penitência, para a primeira Comunhão, para a Confirmação! (…) vos encorajo a prosseguir na colaboração que prestais à vida da Igreja.


67 – (…) a paróquia, como se disse acima, continua a ser o lugar privilegiado da catequese. Precisa para isso de reencontrar a sua vocação neste aspecto, que é a de ser a casa de família, fraterna e acolhedora, onde os baptizados e confirmados tomam consciência de ser Povo de Deus e onde o pão da boa doutrina e o pão da Eucaristia lhes são repartidos com abundância, no quadro de um único acto de culto (117); é daí que são quotidianamente reenviados para a sua missão apostólica em todos os sectores da vida do mundo.

(117) Cf. Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, nn. 35,52: AAS 56 (1964), pp. 109, 114; cf. também Institutio Generalis Missalis Ronzani, promulgado por decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, a 6 de Abril de 1969, n. 33 (…)


(Se alguém quiser a versão integral deste documento, basta enviar-me uma mensagem para catequiso.existo@mail.pt).

Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

Uma tarefa...

Num dia da semana passada, o (D) saiu-se com esta:

D: - A Marta é católica, ñ é?
m: - Sim, sou....
D: - Ah, pois… é Catequista, ñ é?


m: - Sim, faço Catequese…
D: - Olhe, então vou-lhe dar uma tarefa...
m: - ?!?!
D: - Quero q me convença a deixar a minha filha fazer a Primeira Comunhão… Ora bem, ñ é bem 'deixar', porque isso eu nem me importo… A mulher quer até fazer uma grande festança… Mas queria q me juntasse um conjunto de argumentos q me mostrem porque é q a minha filha deve fazer a Primeira Comunhão...


Bom, esta foi a base da conversa...

Dando seguimento à mesma, fiquei ainda a saber q o D nem tinha a certeza se a filha frequentava a Catequese ou ñ ("- A mulher é q trata dessas coisas, de as levar e de as ir buscar às actividades extra-escolares..." – ai, ai... desde quando a Catequese é uma actividade "extra-escolar"??)...

Fiquei ainda a saber q o D fez a Primeira Comunhão (e a segunda? terceira?)... só ñ fez "aquela coisa do óleo" ("coisa do óleo" ??)... Mais tarde percebi q afinal até tinha um outro nome para "aquela coisa do óleo"...era: "aquela coisa q dá para ser padrinho"... Nossa!! Estamos a falar duma 'palavra' tão simples quanto sublime como 'Confirmação' – confirmar, comprovar, autenticar, validar a nossa opção de Fé.

Posto isto, nem ousei questionar se acreditava em Deus...
E nem foi preciso...

D – Mas olhe q eu ñ ligo a nada disso!...

Bom, ok...

Sabem o q mais me assusta?

É saber q este é um exemplo entre tantos...

Um exemplo entre tantos pais q ñ fazem ideia se os filhos frequentam ou ñ a Catequese..
Um exemplo entre tantos católicos q ñ conhecem minimamente o nome "daquelas coisas"...
Um exemplo entre tantos baptizados q ñ se identificam nem ficaram minimamente marcados com o caminho percorrido, q, embora obedecendo a um ritualismo "imposto", ñ mais procuraram aprofundar...
[(Faço aqui um parêntese para reforçar a urgência da extensão da Catequese de Adultos)]

Mas, por outro lado, sabem o q me regozija?

É saber q há uma busca, uma procura do porquê... Há uma curiosidade... quase q ouso chamar-lhe de 'inquietação'... E isso é bom!

m – Ah!, então na opinião do D, Deus ñ Existe?
D – Isso ñ sei... ñ sei se Existe ou ñ...


Ñ deixa de ser um bom ponto de partida... Ñ sabe se Deus Existe ou ñ... mas quer saber... e está disposto a explorar.



Ora bem, posto isto...
Hipótese 1 - Posso ignorar e fingir que esqueci esta conversa, não é nada comigo...
Hipótese 2 - Posso recordar e aplicar as técnicas de argumentação e persuasão que adquiri em algumas acções de formação que frequentei...
Hipótese 3 - Posso (ficar-me por) dar o meu parecer, o meu testemunho...
Mas também,
Hipótese 4 - Posso fazer algo!

Decidi assumir pois esta tarefa e a responsabilidade que a mesma acarreta... Suporto esta decisão numa frase de Bento XVI, quando dizia que "A Fé não se reduz a um sentimento privado". Esta é a resposta àquela reflexão da filósofa Simone Weil: "Por q é bom q eu exista, em vez de existir apenas Deus?"... Aqui está....
Nem mesmo Deus, com todo o Seu poder, pode forçar um ser humano a amar, ou a amá-lO, ou a amar a Igreja...

Como Catequista, ñ me parece q seja essa a minha missão: forçar, obrigar, argumentar, aguardar contra-argumento, ripostar novamente... Ufa! Nada disso!

Afinal, actualmente, podemos fazer a mesma escolha dos homens de há 2000 anos: crer ou descrer. A evidência hoje é precisamente a mesma daquela época.

Por isso, ñ me parece q a abordagem do 'convença-me' seja a mais acertada... neste caso específico, prefiro talvez ir pela vertente do 'o que é', 'desde quando', 'para quê' , 'porquê' a Eucaristia. Ñ quero fazer desta "tarefa" um campo de batalha, onde eu 'lanço uma granada', e espero 'uma bomba' de resposta, a partir da qual 'lançarei um missil', e por aí fora...

Não!

Da (humilde) experiência q vou coleccionando quer da Catequese com crianças, quer mesmo de vivências do quotidiano, urgem iniciativas corajosas e audazes (evidentemente, obedecendo a uma assertividade permanente), onde temos q reconhecer q as contribuições tradicionais já ñ se ajustam muito bem a pessoas psico, socio e culturalmente diferentes daquilo q eram há umas décadas atrás.

Quase q se torna, por isso, necessário "re-inventar" quase tudo: o tipo de abordagem, a simbologia, etc... sem nunca alteramos a essência, que é o Amor de/em Deus.

E porque as tarefas criativas são mais motivadoras q as repetitivas, vou começar pois a reunir algum material...

Entretanto, conto com a vossa colaboração em mais esta vivência real de evangelização, quer através do email (catequiso.existo@mail.pt), quer aqui no próprio blog.

Sexta-feira, Dezembro 23, 2005

Feliz Natal!



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Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce
Uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
Que há no ventre da Mulher ...

(Ary dos Santos)

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Votos de um Santo Natal!

Terça-feira, Outubro 04, 2005

Uma questão de fé...

Há palavras e sensações vividas que as palavras jamais poderão expressar.

O que vivi este fim-de-semana foi um desses momentos, que guardarei como um tesouro muito especial, daqueles que quase não podemos repartir com ninguém.

De um breve internamento numa unidade de saúde para uma excisão de um nódulo que me andava a "incomodar", recolhi verdadeiros testemunhos de luta, de coragem e de determinação de quem nunca baixa os braços à vida.

Permitam-me partilhar parte do diálogo travado com uma das pacientes, a D. Alice, que jazia naquela cama há cerca de 3 semanas, "sem saber bem o que tinha, mas que não era nada de bom isso não era... ", dizia.

Percebendo o meu pouco à vontade naquelas andanças (ou melhor, o meu mais que visível medo), recordava-me que "a fé ajuda muito. Nunca devemos abandonar a Fé, pois a Fé é que nos salva", assegurava.

Pediu para me fazer uma pergunta... Disse que sim... "Bom, vai-me perguntar se eu tenho fé – pensei eu – pergunta óbvia dada a trajectória do diálogo"... Então, lá fui preparando a resposta.. "-Bom – continuei a pensar para comigo – claro que tenho fé... Creio, acredito, procuro viver nEle... logo, tenho fé! Ok, venha a pergunta que a resposta está pronta!"

Pronta para assumir a minha clara opção de fé, disse-lhe que sim, que claro que me podia fazer uma pergunta..

E a D. Alice sai-se com esta: "Sabe o que é a Fé, não sabe?"

Ai! Com esta é que eu não contava!

Disse-lhe qualquer coisa como "Ter fé é aceitar Jesus, é viver nEle, com Ele..."

A D. Alice olhou para mim com quase um ar de desprezo... e disse: "Isso não é a fé! Isso são palavras bonitas... A Fé não é só isso..."

Continuei: "Ter fé é não duvidar... é como uma prenda que nos é dada no Baptismo, a partir do momento em que começamos a fazer parte da família de Deus. Depois, ao longo da nossa vida de cristãos, temos que ir fazendo crescer essa fé, blablablabla...."

Bom, melhor seria estar calada :-)) ... A D. Alice perguntou-me se eu tinha acabado de saír da Catequese, que é onde "as crianças decoram essas coisas" !! Corei!!!

Tomei a liberdade de lhe perguntar então o que era para ela a "Fé".

Respondeu-me com a sua história de vida...

Começou por me contar que, no início da doença, procurou rezar mais intensamente... havia começado para esta mãe, esposa, avó, empregada fabril, colega, etc., uma outra vida, cheia de obstáculos que estava disposta a vencer.

Depois, não compreendia como isto lhe acontecera a ela, que até ia à Missa todos os Domingos, que dava esmola, que cumpria promessas.

Não desanimou. "Quem pensa em desistir, já desistiu antes de começar". E foi nesse momento que resolveu lutar.

Uma luta que não se ficou só pelas coisas que se vêem... Mas sobretudo por aquilo que se tem cá dentro...

Passou semanas em que procurou encontrar-se consigo e com Deus. Colocou "um" e "outro" e viu que afinal, poderia colocar "um" no "outro".

Reparou que quando fazia questão que Deus estivesse com ela, encontrava tranquilidade, paz de espírito, razão para existir e mais alguma força para enfrentar mais um dia. O que nem sempre é fácil nas circunstâncias em causa. Passou a chamar a estes os "momentos de Deus"...

Porém, nos momentos de revolta, insegurança, dor, para além destes serem maus, ela própria acabava por se sentir pior ainda! Passou a chamar a estes os "outros"...

Diz que foi nesta altura que começou a saber o que é a Fé... a Fé era PAZ, serenidade, bem-estar... porque os momentos de Deus eram PAZ, serenidade, bem-estar... E os "outros" não!...

Aliás, dizia mais: que entendia que tudo por quanto passou e estava a passar como uma missão de que foi encarregue.

Que dantes ainda tinha medo, mas só porque achava que não estava "fadada" para estas tarefas. Mas agora, que sabia que caminhava serena e pacificamente em direcção ao Pai, agradecia a Deus pelo que já havia cumprido.

Perguntei-lhe, num sussurro, se não tinha medo...

Resposta: "-Ah! Isso é para os "outros" "...

É difícil exprimir por palavras o que senti naquele momento...

Vi que à minha frente estava alguém que dificilmente se deixaria envolver numa guerra sem ganhar, de preferência, todas as batalhas.

Nesse momento, os meus olhos disseram aquilo que a boca já não permitiu...

Procurando disfarçar, trocámos olhares e foi no silêncio que demos continuidade ao nosso diálogo, agora em oração....

Lamento não conseguir exprimir com maior autenticidade o que significaram para mim estes momentos... É difícil explicar por palavras o turbilhão de sentimentos que a mensagem desta senhora me passou... Palavras bem mais simples do que aquelas que escrevo, mas bem mais robustas e agradáveis..

Como Catequista, foi mais um elixir no arranque deste novo Ano Catequético...

D. Alice, se um dia ainda vier a usar esta "modernice do computador", espero que veja aqui o meu "Muito Obrigada" pela inimaginável riqueza que me deu nas poucas horas que estive consigo.

De qualquer forma, como "prometido é devido", no próximo sábado agradeço-lhe pessoalmente...

Dizia Madre Teresa de Calcutá que "O fruto da oração é a fé; O fruto da fé é o amor; O fruto do amor é o serviço; O fruto do serviço é a paz".

Logo, raciocínio lógico aplicado, o fruto da fé é a paz... tem razão a D. Alice!...

Sexta-feira, Setembro 23, 2005

A beleza de um jardim consiste no colorido das suas FLORES, não na homonegeidade

Conversa no MSN, anteontem à noite:

---
flor says:
nem me digas. olha k ja perdi o jeito
marta says:
de que?
flor says:
de falar dEle
flor says:
e se calhar de o viver
---

A “flor” (continuemos a chamar-lhe assim), é uma das minhas melhores amigas, conhecemo-nos acho que desde sempre... Frequentámos a mesma turma, partilhámos alegrias, emoções, segredos, experiências, vivências. Uma das riquezas que comungámos foi o nosso “sim” em abraçarmos a festa de fazer Catekese.

Talvez por isso eu tenha recebido com admiração este “perdi o jeito de falar dEle, de O viver”...

Mas, vendo bem, o que é certo é que os desafios na vida, as decisões que têm que ser tomadas “em cima do joelho”, a família, a profissão, a conjectura ecnómico-social, etc, atiram-nos para realidades que cada vez mais nos conduzem a sentimentos de insegurança e instabilidade, interferindo fortemente na (des)centralidade de Cristo na vida de cada um de nós.

Este afastamento progressivo de Deus, este desinteresse gradual pelas coisas que não se vêem, começam a ser uma realidade cada vez mais comum... E a “flor” não foi excepção... Recordo agora uma frase que ouvi no Dia Diocesano do Catequista e que na altura me quis parecer exagerada: “Ser agnóstico está na moda”.

E perguntamos: como é que isto acontece?

Será que se “perde o jeito” de ser testemunho? Perder-se-á o “jeito” de viver em Deus?

Porque é cada vez mais comum o ”Não sei, não sei, é melhor não arriscar...!” ?

Bom, a verdade, é que, a irmos na conversa do “não sei”, bom, então não sabemos muitas coisas!

Deixa cá ver... como, por exemplo, não sabemos porque não faz sol todos os dias;

Não sabemos quantos de nós estarão aqui amanhã a ler este post;

Não sabemos até o porquê desse amor tão grande que Deus tem para connosco...

E vendo todos estes “não sei”, urge chegar o momento de também nós não sabermos... de não sabermos ficar calados :-)

A sério!

Há-que cortar o mal pela raíz” - não da “flor”, claro! :-))

E como lá diz o ditado que “Metade da obra tem feito quem começa bem e com jeito”, lá estamos nós às voltas com a temática da “Iniciação Cristã”, do “Despertar Religioso”, da “Catekese d Adultos”, das “Novas formas d Catekese”... São abordagens que não é por acaso que começam a fazer sentido dentro dos actuais pressupostos.

Urge pois estabelecer um encontro pessoal com Jesus... sem medo, sem meros ritualismos, sem vergonha, mas também sem exibicionismos. Uma experiência individual autêntica que proporcione e impulsione a experiência comunitária...

Urge uma catequese de aprofundamento, de amadurecimento, de querer saber mais, de estar esclarecido...

Urge a autenticidade, o sentido de compromisso... comigo, com o outro, com a comunidade, com Deus...

Urge uma atitude de fé radical, de confiança total.

Bom, e hoje fico por aqui...

Sexta-feira, Setembro 16, 2005

Lá diz o povo: 'Quem é vivo, ...'

Pois é, ora então cá estamos de volta!

E, como não podia deixar de ser, com uma palavrinha rápida (mas genuína) à organização do Dia Dicoesano do Catequista: OBRIGADA!

O ambiente, a temática central, os sub-temas dos ateliers, a riqueza do programa, o cuidado da organização... Bom, simplesmente o ‘grão de mostarda’ (Mt 17, 20) necessário no arranque de um novo ano catequético!

Terça-feira, Agosto 30, 2005

E porque Catequese é transmissão de uma mensagem de vida...

A vida é uma oportunidade, aproveita-a...
A vida é beleza, admira-a...
A vida é felicidade, degusta-a...
A vida é um sonho, torna-o realidade...
A vida é um desafio, enfrenta-o...
A vida é um dever, cumpre-o...
A vida é um jogo, joga-o...
A vida é preciosa, cuida dela...
A vida é uma riqueza, conserva-a...
A vida é amor, goza-o...
A vida é um mistério, descobre-o...
A vida é promessa, cumpre-a...
A vida é tristeza, supera-a...
A vida é um hino, canta-o...
A vida é uma luta, aceita-a...
A vida é aventura, arrisca-a...
A vida é alegria, merece-a...
A vida é vida, defende-a...

(Madre Teresa de Calcutá)

Segunda-feira, Agosto 29, 2005

Qual é o tamanho de Deus?


2002/2003
1º Ano

Numa das sessões de início do ano, observávamos umas roupas de bebé, enquanto conversávamos o quanto já havíamos crescido, e a que níveis...
O L.P. até dizia que já media mais de 1 metro!
Então a C., levanta o dedo e pergunta:
- E quantos metros mede Jesus?
Resposta imediata do R., abrindo os braços:
- Ora, Jesus é deste tamanho!




*****
É uma questão pertinente a da C. : ‘Qual é o tamanho de Deus?

Quarta-feira, Agosto 24, 2005

Um lugar importante...

Ora bem, hoje vamos ter uma visita guiada....
... à Sala de Catequese que acolheu os grupos que orientei no decorrer do ano agora terminado.

A Sala que ocupámos é um espaço que, embora único, está ‘dividido’ internamente em várias partes.

Comecemos pelo CANTINHO DA ORAÇÃO, um espaço onde criamos como que um pequeno altar (redondo! - o balde que usávamos na limpeza furou num descuido). A toalha de renda colocada por cima do balde, está adornada com flores artificiais. Dos lados, saem dois holofotes (bom, digamos antes ‘mini-holofotes’... são daqueles que se colocam habitualmente nos lagos de jardim). Em cima do ‘altar’ uma vela e a Bíblia (Infantil, mas não menos Palavra de Deus). Em frente, uma almofada. Do lado esquerdo uma imagem ‘bem gira’ de Jesus... Está a preto/branco, é certo, mas akele sorriso dispensa qualquer cor! Do lado oposto, uma de Maria...
É aqui que (pois,... mais na altura dos testes!!), vamos ‘apanhando’ um ou outro Catequizando fora do horário da sessão, sentado na almofada ora a ler a Bíblia, ora de mãos juntas à cabeça, ora simplesmente a olhar... Bom, também há aqueles que são especialistas em investigar de quantos Volts serão as lâmpadas dos holofotes (mini-holofotes!)...

No canto adjacente da Sala, temos o CANTINHO DA(S) PALAVRA(S). Este espaço surgiu já quase no final do Ano Catequético, por sugestão da turma do 5º ano. Numa das sessões em que abordámos a Parábola dos Talentos, chegámos à conclusão de que uns tinham jeito para poemas, outros para desenhos... Decidimos então criar este ‘cantinho’: um placard de esferovite colocado em cima de uma fileira de paralelos, por sua vez cobertos com um tecido dourado muito lindo que a L. trouxe de casa.

Ao lado, a todo o comprimento, o MURAL DA LITURGIA. Nesta parede, vão sendo colocadas umas folhas com a indicação da passagem Bíblica dos vários domingos do tempo litúrgico que atravessamos. Por baixo, ‘circula’ uma grande seta com a indicação ‘Estamos aqui’. É uma forma de, para além de introduzir a temática dos tempos litúrgicos, leva a uma maior atenção dos catequizandos na própria Eucaristia, uma vez que já sabem ‘o que o Sr. Padre vai dizer!’ (palavras da B.).

No canto oposto ao Cantinho da(s) Palavra(s), está o CANTINHO DO AMBIENTE. Três cestos iguais trazem a mensagem da Reciclagem, do reaproveitamento de matérias, da protecção da irmã Natureza (irmã porque O Pai, O Criador, é O mesmo). Um dos cestos está decorado a azul, outro a amarelo, e o último a verde. (PS: Minimizava eu a importância deste último, até ao momento em que começaram a trazer de casa os frascos vazios, os copos partidos, as garrafas de vidro.. Tudo porque ‘lá em casa a mãe e o pai não querem ter trabalho, apesar de eu, Catequista, querer proteger o ambiente, mesmo que isso me dê trabalho a mim.’ - palavras da C., num dos dias em que trouxe para a Catequese um saco cheio de frascos de café e compota vazios).

Do lado oposto ao Cantinho do Ambiente, temos o CANTINHO DA BRINCADEIRA. Não!, Não é o que pensam!! Para os jogos e brincadeiras, felizmente, por fazer Catequese numa aldeia, é só o tempo permitir e cá estamos nós no Adro da Igreja, por sinal bem extenso... Felizmente damos outra utilidade ao Cantinho da Brincadeira... Bom, pensando bem, talvez no próximo ano lhe devêssemos trocar o nome e colocar qualquer coisa do género como ‘Cantinho-Armazém’, ou ‘Cantinho daquilo que não precisamos durante a sessão de Catequese e que de certeza nos iria distrair se estivesse por perto’.... Ufa.... que extenso... Talvez Cantinho da Brincadeira seja mesmo a melhor escolha... Passo a explicar: no início de cada Sessão, cada um (Catequizandos + Catequistas + Eventuais ‘Convidados’ - pais, irmãos), coloca neste espaço decorado com cores garridas objectos como pacotes de batatas fritas, guardas-chuvas, gameboys, bolas, bonés, mochilas, malas, telemóveis (sim, sim... segundo a minha estatística, 90 % das crianças das duas turmas que acompanhei tinha telemóvel!!. Só um pormenor: tratam-se de crianças que frequentam o 4º e 5º ano!). O Cantinho da Brincadeira dá assim uma valiosa ajuda na matérias das distracções.

Para terminar, o centro da sala... Como somos em média 30 por sessão, a solução que arranjamos foi colocar as cadeiras em círculo a toda a volta da sala, deixando uns espaços de entrada para os vários ‘Cantinhos’ acima citados.

Depois, no centro da sala, duas metades de um tronco no chão compõem a n/ mesa da partilha.

Sobre a metade superior, umas espigas de trigo e um crucifixo de cortiça em cima do tecido que sobrou daquele que a L. tinha trazido na altura em que criámos o Cantinho da(s) Palavra(s).

Na metade inferior do tronco, uma vela e algumas florinhas artificiais soltas completam a decoração.

Ah! Já esquecia!, antes de saírmos para férias, substituímos o ‘Mural da Liturgia’ pela ‘Parede do Compromisso’, onde afixamos com letras bem garrafais o nosso propósito de ‘Férias Sim, Mas Não de Jesus!’.



(Foto-Motagem da minha amiga MHeymer)


E, bom, este é o passeio guiado ao espaço que nos acolhe todas as semanas...

E vós, Catequistas, o que partilhais sobre o espaço onde recebeis os Catequizandos?

Que ideias / sugestões quereis dividir?

Já agora, que relação tem o local da Catequese com o alcance com maior / menor sucesso do objectivo de cada sessão? E com a motivação do grupo?

Será que podemos criar uma lista de ‘requisitos’ mínimos a que deve obedecer o espaço onde fazemos Catequese? Quais os objectos essenciais que devem existir num espaço onde se faz Catequese?


Ou melhor: será que as paróquias de uma forma geral desfrutam de infra-estruturas que permitam que os Catequistas possam acolher com a dignidade adequada o grupo?

Ainda neste campo: qual a prioridade dada na paróquia relativamente à reparação / edificação de espaços para a Catequese?

... Eu, pessoalmente, sei de uma ou outra paróquia onde os Catequistas têm que se sujeitar a ocupar os bancos da Igreja para fazer Catequese... E muitas vezes (principalmente nos dias de chuva), reúnem-se 2 e 3 grupos na mesma igreja, no mesmo horário...

Bom, aguardo as v/ impressões...



Terça-feira, Agosto 23, 2005

‘Modelos de Catequese’ vs ‘Catequese Modelo’

Abordo hoje uma temática que me parece pertinente para reflexão antes do arranque de mais um Ano Catequético: os vários ‘Modelos de Catequese’...

Qual / Quais aquele(s) com que mais identifico as sessões que apresento semanalmente?

Consigo distinguir as características de um e de outro modelo nas minhas Sessões de Catequese?

Haverá um só modelo a respeitar e seguir? Haverá uma fórmula mágica para a Catequese ideal?

Poderei eu a partir dos vários ‘Modelos de Catequese’, chegar à ‘Catequese Modelo’?

Bom, está aberta a partilha...

(Crédito: Site da Catequisar.com.br)

MODELO DOUTRINÁRIO

PRINCÍPIOS:

  • especial apego à Bíblia
  • decorar textos e respostas
  • prima pela clareza e segurança
  • as verdades não podem ser discutidas
  • o objectivo básico é convencer
  • exemplos bíblicos e vida dos santos são importantíssimos
  • a catequese nem sempre se liga à vida
  • resposta ao Protestantismo

CATEQUISTA:

  • é um professor, um expositor
  • exige ordem, disciplina
  • silêncio imposto
  • ar de seriedade
  • aprendizagem à base de decoração
  • todos os textos iguais e sempre os mesmos

CATEQUIZANDO:

  • é mero receptor
  • está vazio e a catequese deve preenchê-lo com ideias e conceitos
  • presta atenção para entender bem e prestar contas
  • não é sujeito mas objecto da catequese

MÉTODO:

  • dedutivo-expositivo
  • indiferenciado: formulário para todos
  • programa pré-determinado
  • pouco dado à Bíblia, mais de saber religioso
  • controlado pela autoridade eclesiástica
  • fidelidade ao depósito da fé

MODELO ESCOLAR

PRINCÍPIOS:

  • acentua as verdades das quais o catequizando é receptor
  • aprofunda e defende os dogmas e as verdades
  • o catecismo Pio X torna a catequese mais sistemática com mais frequência aos sacramentos
  • domina a ignorância religiosa
  • predispõe a criança para receber bem os sacramentos
  • a escola é a grande aliada da catequese

CATEQUISTA:

  • tem que ser hábil e didacta, como todo o professor
  • deve testemunhar com a vida o que fala
  • deve ser bem relacionado com os catequizandos (alunos de catequese!)
  • conhece bem a psicologia e as necessidades dos catequizandos

CATEQUIZANDO:

  • tem o dever de aprender, assimilar e viver a doutrina
  • deve participar nas actividades através de cantos, pesquisas, desenhos, empenho na caridade
  • é receptor (meramente) da instrução do catequista

MÉTODO:

  • intuitivo: procura despertar a verdade através do elemento perceptivo
  • gradual: subdivide os programas
  • activo: suscita interesse
  • marcado ainda por "noções"
  • catequese = aula
  • catequista = professor (a)
  • catequizando = aluno (a)

MODELO PSICOLÓGICO

PRINCÍPIOS:
  • começou a ser utilizado mais no começo do século XX
  • atende mais às necessidades das pessoas
  • mais ligado à vida
  • utiliza imagens, desenhos, histórias, histórias, lendas
  • as celebrações litúrgicas e a Bíblia são mais valorizadas
  • a verdade abstracta é apresentada através de Factos Bíblicos e Liturgias

CATEQUISTA:
  • explicador da Mensagem, mas sempre muito fiel às fontes da revelação e da Liturgia
  • educador respeitoso, atento aos ensinamentos reais e das concretas capacidades dos educandos
  • usa mais a psicologia e torna a catequese atraente

CATEQUIZANDO:
  • não é somente um recitador de conceitos e fórmulas, mas participa
  • respeitam-se os seus interesses, gostos, carismas, inclinações pessoais mas, quanto ao conteúdo, permanece passivo

MÉTODO:
  • indutivo, sensível ao mundo concreto
  • método psicológico, porém rígido, esquemático, previsto
  • recai sobre a criança e as suas exigências
  • parte do concreto para o abstracto
  • usa recursos bíblicos, litúrgicos aplicados à vida e com síntese

MODELO EXISTENCIAL

PRINCÍPIOS:

  • educação da fé voltada para a vida
  • importância dos aspectos psicológicos
  • catequese vê a situação do homem
  • catequese que acentua a necessidade de libertação como acentua Cristo no Evangelho
  • denuncia as múltiplas opressões
  • encara o homem concreto; Deus fala na vida do povo. Revela-Se na história

CATEQUISTA:

  • testemunha qualificada de Cristo
  • ajuda o catequizando a viver a Palavra, colocando-o ao serviço de Deus e do próximo
  • utiliza-se da psicologia, da didáctica e da sociologia
  • conhece bem a realidade sócio-política-cultural do povo

CATEQUIZANDO:

  • é acolhido e respeitado naquilo que é: na vida familiar, individual, social, cultural, habilidades práticas, fantasia, criatividade
  • atende-se à sua vida concreta, aspirações e experiências

MÉTODO:

  • antropológico: valoriza as pessoas e as comunidades
  • promove experiências concretas de fé, esperança e amor
  • valoriza todas as fontes de catequese (criação, história, Bíblia, Liturgia, visão eclesial)
  • atende mais às capacidades de cada educando e da comunidade
  • é permanente: propõe fé para todas as idades e situações de vida

Sábado, Agosto 20, 2005

"ISTO É 'XELENTE!"


Início do Ano Catequético (Fev 2005)
O M. está no 5º Ano. Assume um pouco a função de líder daquele grupinho que organiza as partidas de fútebol duas horas antes da Catequese começar... Ah!, ele e o J.!

Esta era a segunda vez que estávamos juntos este ano. Num grupo de 27 pré-adolescentes, 50% já tinha estado comigo no ano anterior... Bom, os restantes 50% eram 'caras conhecidas'...

Vamos então à 'história' do M.

Agora me lembro que o H. e a B. tinham faltado.

Ora, depois do Acolhimento, o M., numa descontração dakelas, olha para mim com um ar muito de 'chefe', pede para falar e sai-se com esta:

M. - Olha, Catequista, quero q saibas DESDE JÁ que eu só venho à Catequese porque quero casar e o Sr. Padre só deixa casar quem tiver feito o Crisma. Quero que saibas que é só mesmo por isso que eu estou aqui... Só tou mesmo à espera de fazer o Crisma... Portanto, não me xates!

(bom, passo a traduzir esta última parte: "Não gostaria mesmo nada de ser incomodado, por favor!")

Passados 2 meses, no final de uma sessão em que o M. (à semelhança de sessões anteriores) havia participado activamente:
M. - Ó Catequista, olha, afinal eu venho à Catequese porque isto aqui é 'xelente'! ...

:-)

TU AMAS-ME?

***************

“Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro:
- Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?
Pedro respondeu:
- Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.
Jesus disse-lhe:
- Apascenta os meus cordeiros.
Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez:
- Simão, filho de João, tu amas-me?
Ele respondeu:
- Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.
Jesus disse-lhe:
- Apascenta as minhas ovelhas.
E perguntou-lhe, pela terceira vez:
- Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?
- Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: 'Tu és deveras meu amigo?'
Mas respondeu-lhe:
- Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!
E Jesus disse-lhe:
- Apascenta as minhas ovelhas.”
(Jo 21,15-17)

***************

Pois é...

Tal como há 2000 anos atrás fez com Pedro, Jesus também me foi perguntando: ‘Tu és minha amiga, tu amas-me?'

E eu, qual Pedro, lá respondia: ‘Tu sabes que sim...’

E a pergunta surgia novamente: ‘Tu és minha amiga, tu amas-me?'

E outra, e outra vez...

Embora em corpo de adolescente, a minha mente e o meu coração crescidos não compreendiam o porquê de tanta insistência... Bolas! Parecia que não Via... Como é que eu podia não amá-lO? Era uma aluna esforçada, atenta, estudiosa, ia à Catequese todos os sábados, à Missa todos os domingos... Procurava nas minhas orações buscar uma intimidade cada vez maior com Ele... E, bolas, como era possível que sentisse sempre a mesma e inquietante questão: ‘Tu amas-me?’

Não precisava... mas, dada a teimosia que me caracteriza, decidi de uma vez por todas ‘abrir o jogo’ e dizer: ‘Tu sabes que sim. Vou demonstrá-lo!’

Bom, ok... eu sabia que não era Pedro (=pedra)... sabia que não passava de um grãozinho de areia... mas há-que avançar...

Após a Profissão de Fé, ingressei no Grupo de Catequistas da minha paróquia... Imediatamente fiquei comprometida! Não ‘descolei’ mais!! Não dá! É mais forte do que eu!! É uma vivência diária! São as pesquisas na net, são os 5 minutos diários para preparação da sessão do sábado seguinte, é a troca de telefonemas e sms com os restantes Catequistas, é o testemunho diário desta festa que é SER CATEQUISTA!

E porque o catequista não age sozinho, mas em comunhão, este é pois um espaço que (espero eu) venha a:

aperfeiçoar conhecimentos
trocar sensibilidades
partilhar experiências e testemunhos
actualizar informações
escutar, reflectir e aprofundar vivências de adesão e intimidade com Jesus
cultivar o espírito de convívio entre Catequistas (e não só)
viver a alegria pela Igreja, pela Bíblia, pela Eucaristia
... simplesmente, celebrar este entusiasmo de dar e receber a pessoa de Jesus!

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